O massacre da Vida Nova foi um tiroteio escolar ocorrido na Escola Estadual de Primeiro Grau Núcleo Habitacional Vida Nova, Campinas, São Paulo. Este foi o primeiro massacre ocorrido dentro de uma instituição educacional na história brasileira. Dos quatro atiradores que participaram do crime, apenas um deles foi preso e julgado. Os outros três nunca foram capturados.
Atualmente, o massacre na Escola Estadual de Primeiro Grau Vida Nova é o oitavo massacre em escola com maior número de fatalidades na história do Brasil. O caso também foi o massacre em escola em São Paulo mais mortífero até ser superado pelo massacre de Suzano, em 2019.
Ataque Por volta das 21h, um dos atiradores chegou à instituição e foi à casa do zelador, Nilton César dos Santos, que é conhecido na instituição como "Newtinho", e pediu um copo de água para os estudantes locais, antes de deixar a escola. Por volta das 22h30, quatro homens armados invadiram a Escola Estadual de Primeiro Grau Núcleo Habitacional Vida Nova, localizada no bairro Vida Nova, com revólveres calibre 38. Eles se dirigiram à casa do zelador; cerca de cem estudantes estavam próximos ou dentro do local, fazendo um ensaio da peça teatral. Eles procuraram pelo estudante Leonardo Pereira Souza Barbosa, 19, que estava na sala do zelador. Ao chegar no local, ele ordenou que os estudantes se deitassem no chão e disparou tiros e depois fugiu, sem deixar pistas. Uma aluna de 15 anos que, ao escutar os tiros, se dirigiu à casa do zelador para verificar o que estava acontecendo e foi atingida. Durante o ataque, um tumulto se iniciou e os alunos começaram a escapar em pânico para a rua. O aluno F., 15, foi atingido nos tiros, relatou à imprensa: "Permaneci no chão e fingi que estava morto. Mesmo assim, eles continuaram atirando e acertaram outro tiro na minha coxa. Todo mundo começou a gritar. Foi assustador". Leonardo Pereira Souza Barbosa, 19, foi baleado no ataque, sendo uma das vítimas fatais. José Eduardo Alves, 14, e Márcia Ramos Oliveira, 15, ainda fugiram da casa do zelador e foram ao pátio, mas foram atingidos. Newtinho imediatamente começou a socorrer os feridos.
Vítimas Sete estudantes ficaram feridos, dois ficaram em estado grave. Três alunos foram baleados nos peitos e cabeças e foram gravemente feridos; dois meninos de 19 e 14 anos morreram no mesmo dia; uma menina de 15 anos morreu na manhã do dia seguinte. Entre as vítimas estão:
Mortos Leonardo Pereira Souza Barbosa, 19 Márcia Ramos Oliveira, 15 José Eduardo Alves, 14
Feridos Gilmar Antunes Lima, 22 Luciano Aparecido Santos, 20 Roberto Waldalecir Alves, 18 Arles Eder dos Santos, 18 Gilberto Silva Francisco, 16 F., 15 (estudante do sexo masculino) Dayane Pereira de Oliveira, 15 Dois dos estudantes corriam riscos de ficar com sequelas, entre eles, Aparecido, que pode ficar paraplégico, e Pereira, que pode ficar cega após ser baleada no olho. Dois dias após o ataque, três vítimas feridas receberam alta: dois alunos baleados e o colega espancado. F., 15, foi atingido por alguns tiros e baleado na coxa e perna. Pereira foi baleada na cabeça duas vezes; ela é uma das vítimas feridas que pode ficar com sequelas.
Consequências As autoridades começaram a investigar os motivos e procurar os atiradores. Inicialmente desconfiaram de disputa entre grupos rivais e não descartaram o envolvimento com tráfico de drogas como o motivo do ataque. Outro motivo que foi hipótese do ataque foi que Pereira, uma das vítimas fatais, havia invadido o barraco de um dos atiradores. No dia seguinte, houve uma missa campal no cemitério; as vítimas fatais foram veladas no Cemitério Nossa Senhora da Conceição com a presença de 300 pessoas. Os familiares das vítimas fatais aceitaram as doações das córneas delas para outras pessoas; a transplantação ocorreu no Hospital Celso Pierro. A Escola Estadual de Primeiro Grau Núcleo Habitacional Vida Nova reabriu apenas no dia 11 de outubro. Em 3 de novembro, quase um mês após o massacre, o primeiro atirador, Cléber Teixeira, 21, foi encontrado e detido. Ele confessou ser o atirador que deu o primeiro disparo contra uma das vítimas fatais; outro atirador que teve a identidade divulgada foi Edmilson Fagundes de Souza Santos, 19; os outros dois suspeitos não tiveram suas identidades divulgadas. Até novembro de 1999, os outros três atiradores não foram encontrados e permanecem soltos. Em novembro de 2001, um dos atiradores, que conseguiu ser preso após o massacre, Cléber Teixeira, foi condenado a 51 anos de prisão após um julgamento de oito horas.
Ver também Ataque na Catedral Metropolitana de Campinas em 2018 - Outro tiroteio em massa ocorrido na cidade em 2018, na Praça José Bonifácio Chacina de Campinas - Outro tiroteio em massa ocorrido na cidade em 2017, no bairro Vila Proost de Souza Tiroteio na Escola Estadual Professor Luiz Felipe - Outro tiroteio em escola perpetrado por criminosos, no município cearense de Sobral Lista de ataques e invasões escolares no Brasil
Referências