O caso do estupro coletivo em Copacabana foi o estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos, ocorrido na noite do dia 31 de janeiro de 2026 no bairro de Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro, perpretado por cinco suspeitos. O caso, tornado público em 28 de fevereiro do mesmo ano, ganhou notoriedade devido a dois dos acusados serem alunos do Colégio Pedro II (campus Humaitá) e um da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), tradicionais instituições federais de ensino público, sendo ainda um deles filho de um então subsecretário do Governo do Estado do Rio de Janeiro. A vítima não foi publicamente identificada.
Caso Segundo o inquérito da 12.a Delegacia da Polícia Civil em Copacabana, a vítima foi convidada por um adolescente, colega de escola, para ir ao apartamento de um amigo dele, localizado na Rua Ministro Viveiros de Castro, no mesmo bairro, na noite do dia 31 de janeiro, a convidando para fazer "algo diferente". Enquanto a vítima e este colega adolescente mantinham relações sexuais de forma consensual, outros 4 jovens entraram no quarto e a estupraram, tendo ainda levado tapas, socos e um chute na região do abdômen. Ao tentar sair do quarto, foi impedida. De acordo com o delegado Ângelo Lages, a vítima chegou muito machucada, sangrando, com lesões nos órgãos genitais, nádegas, costas e com suspeita de fratura na costela. O laudo aponta múltiplas lesões, como equimoses e escoriações na região dorsal, e descreve achados compatíveis com violência física recente. Após feito o exame de corpo de delito, a vítima identificou os agressores, que tiveram seus nomes divulgados pela polícia: Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos; Bruno Felipe dos Santos Allegretti, também de 18 anos; Mattheus Verissimo Zoel Martins, de 19 anos; João Gabriel Xavier Bertho, também de 19 anos, além de um adolescente de 17 anos que cursa o 1.o ano do ensino médio no Colégio Pedro II e que não teve a identidade divulgada. Ele é apontado como o mentor intelectual do caso, de acordo com o delegado.
Bruno e Mattheus se entregaram às autoridades no dia 03 de março. Ambos ficaram calados durante o depoimento e foram transferidos para o Presídio José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte da cidade. Ainda segundo o investigador, o crime foi uma "emboscada planejada" e que as imagens de câmeras de segurança do prédio mostram os jovens fazendo gestos de "comemoração". Vitor, que cursa o 9.o ano do ensino fundamental após sucessivas reprovações no Colégio Pedro II, se apresentou às autoridades no dia 04 de março, se entregando acompanhado de seu advogado na delegacia de Copacabana. Ele usava uma camisa com a frase Regret Nothing (Não se arrependa de nada), associada à machosfera e que faz alusão à propagação de ideias misóginas pelo influenciador Andrew Tate, muito popular no movimento Red Pill. Bruno também se entregou na 54.a Delegacia da Polícia Civil em Belford Roxo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Ambos também permaneceram em silêncio e só irão se manifestar em juízo. Os quatro estão sendo mantidos em celas separadas. O adolescente inicialmente não teve mandado de apreensão expedido pelo Ministério Público, mas este viria a ser emitido no dia 05 de março quando as investigações mostravam seu envolvimento em outros casos. O promotor Carlos Marcelo Messenberg, da 1.a Promotoria da Infância e da Juventude Infracional da capital, solicitou o pedido de internação provisória. Ele foi considerado foragido, mas se entregou no dia 6 de março. Em 10 de março de 2026, a Justiça do Rio de Janeiro manteve a internação provisória do adolescente investigado por participação em um estupro coletivo em audiência de custódia na Vara da Infância e da Juventude. No mês seguinte, a justiça determinou a sua internação por um período mínimo de seis meses.
Ameaças a familiares da vítima A irmã mais nova da adolescente vítima, uma menina de 12 anos, relatou ter sido perseguida pelo adolescente acusado. Em matéria no Fantástico, a avó da adolescente, que detém a sua guarda, relatou que ele "estava rondando" a menina: "Mostrando para a minha filha de 17 anos que se ela abrisse o bico, a minha pequena estava na mira." Ao procurar as autoridades policiais para relatar o caso, a mãe das meninas foi informada pelo plantão policial de que o comportamento não caracterizaria crime de ameaça e que a ocorrência não seria formalizada. A orientação dada pelos agentes de plantão foi a de que, caso houvesse algum encaminhamento a ser feito, a família deveria procurar a Delegacia de Criança e Adolescente Vítima. Ao ficar sabendo do ocorrido, o delegado titular da delegacia que conduz o caso orientou a defesa da vítima a retornar para formalizar a ocorrência.
Intimidação de familiares dos acusados à defesa da vítima Em 09 de março de 2026, Rodrigo Mondego, um dos dois advogados que constituem a defesa da adolescente vítima, relatou ter recebido mensagens intimidatórias enviadas por José Carlos Costa Simonin, pai de um dos acusados, Vitor Hugo Simonin.
Agressão ao menor apreendido O menor envolvido no caso, apreendido no Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase), alega ter sido agredido no dia 29 de maio de 2026 por um outro menor após um professor ter revelado detalhes do caso durante uma aula, o que foi confirmado por outros adolescentes apreendidos na unidade. Ele alega ainda ter sido humilhado por esse professor.
Um episódio semelhante contra outra adolescente Em 15 de junho de 2026, a Polícia Civil do Rio de Janeiro concluiu que o mesmo menor, juntamente com Mattheus Veríssimo Zoel Martins, que tinha 17 anos na ocasião, e Gabriel Oliveira Palmieri, de 24 anos, estupraram uma outra menina, na época com 14 anos. O crime do outro estupro coletivo ocorreu em agosto de 2023, em Botafogo, na Zona Sul da mesma cidade.
Repercussão O Colégio Pedro II divulgou uma nota dizendo que irá desligar Vitor e o adolescente acusado. Ambos já foram alvos de advertências e suspensões por comportamento inadequado na escola, sendo alvo de um processo disciplinar interno por agressão física dentro da unidade escolar. O Grêmio estudantil da escola também exigiu a sua expulsão. O pai de Vitor, José Carlos Costa Simonin, é membro do governo do estado do Rio, sendo o responsável pela Subsecretaria de Governança, Compliance e Gestão Administrativa. A reitoria da Unirio anunciou a suspensão de Bruno, que estuda o curso de Ciências Ambientais, por 120 dias. Por sua vez, João atua como jogador de futebol no time Serrano FC, que anunciou o afastamento imediato e a suspensão de seu contrato. Em entrevista ao Jornal Nacional, a mãe da adolescente relatou que "ela se sentia muito culpada e dizia que queria desistir da vida", que assim que viu as marcas da violência na filha se dirigiu com a mesma até a delegacia imediatamente.
De fato, com a divulgação do caso, uma outra vítima procurou a polícia dizendo ter sido estuprada por dois dos acusados há três anos atrás, quando tinha 14 anos. Segundo a polícia, ela indicou não ter procurado as autoridades policiais à época por ter sido filmada e ameaçada com a divulgação do vídeo, e que o modus operandi do grupo teria sido o mesmo. Um terceiro caso, perpetrado por parte dos acusados, foi divulgado em março. A vítima deu entrevista ao Fantástico, contando que um dos acusados deste caso, Vitor Simonin, "forçou sexo oral nele".
O governador Cláudio Castro publicou uma postagem em seu Instagram condenando o crime, que recebeu dezenas de milhares de comentários, muitos cobrando a exoneração do subsecretário, pai do acusado, que se encontrava foragido no momento da postagem. Castro exonerou o subsecretário no mesmo dia. O Ministério das Mulheres divulgou uma nota em que afirma que "o caso também evidencia a urgência de ampliar o debate sobre consentimento, respeito e igualdade nas relações entre crianças, adolescentes e jovens. A prevenção da violência de gênero passa necessariamente pela educação e pela promoção de valores que reafirmem a dignidade e os direitos das meninas e das mulheres. A educação é peça-chave para transformar uma sociedade ainda marcada pelo machismo e pela misoginia." A historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz e a jornalista e política Manuela d'Ávila (PSOL/RS) postaram em suas redes sociais sobre o caso, enfatizando a escolha da camisa utilizada pelo acusado Vitor Simonin, com sua mensagem masculinista, Regret Nothing (Não me arrependo de nada). Outros políticos também postaram sobre o caso, como o deputado federal Reimont (PT/RJ). Diversos famosos postaram vídeos em suas redes sociais indignados com o caso, tais como Bruno Gagliasso, Dani Calabresa, Caio Manhente, Poze do Rodo, Carolina Dieckmann, Jojo Todynho e Leticia Spiller. O cantor Diogo Nogueira disse estar "indignado, triste e angustiado" com o caso e declara que a violência contra mulheres é uma responsabilidade que também precisa ser enfrentada pelos homens. Pai de um jovem de 20 anos, ele fez um apelo para que homens se posicionem contra atitudes machistas e misóginas. "A gente precisa se posicionar, a gente precisa se manifestar, abrir conversa sobre os assuntos e sobre o absurdo que as mulheres vivem dia após dia. As barbaridades que acontecem, que estão acontecendo agora, nesse minuto. E os homens continuam sentados, de braços cruzados". Um homônimo e também morador de Copacabana, João Gabriel Berthô, de 21 anos, relata estar sofrendo ameaças por ser confundido por um dos acusados. Em 9 de março de 2026, a atriz Sherazade Medina prestou queixa por ameaça contra o ex-subsecretário estadual José Carlos Costa Simonin, pai de um dos quatro réus no caso do estupro coletivo. Segundo o relato, José Carlos respondeu a um story no Instagram em que ela comentava sobre o estupro coletivo. Em 13 de março de 2026, a Lojas Renner recolheu das prateleiras a camiseta com a frase misógina Regret Nothing (“não se arrependa de nada”), usada por Vitor Hugo Simonin, de 18 anos, ao se entregar à polícia.
Defesa A defesa dos acusados nega a participação nos crimes. Os advogados de João Gabriel declararam que "confiam que a Justiça, de forma isenta, irá apurar os fatos e decidirá pela improcedência da denúncia. João Gabriel nega estupro e não teve sequer a oportunidade de ser ouvido pela polícia". Ângelo Máximo, advogado de Vitor Hugo, afirma que o réu confirmou que estava no apartamento, mas que não tem envolvimento no estupro. "'Não participei de nada', foi o que ele me disse", declarou à imprensa na saída da delegacia, complementando com: "Temos que ver o lado do consentimento. Ela nega, ok, mas o meu cliente também nega. Nós não estávamos no apartamento para saber o que aconteceu, se ela foi agredida ou não. Quem vai dizer isso melhor pra gente é o laudo".
Controvérsia entre Tribunal de Justiça e Polícia Civil A Polícia Civil do Rio e o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro divulgaram notas na imprensa trocando acusações sobre falhas no trâmite do inquérito. O TJRJ afirma que "atuou com rigor técnico para barrar sucessivos erros de procedimento e tentativas da Polícia Civil de burlar o chamado princípio do juiz natural", e por sua vez a Polícia rebateu dizendo que "o procedimento seguiu o trâmite regular do sistema de distribuição processual do Tribunal de Justiça".
Referências
Ligações externas