1708 foi um ano bissexto do século XVIII no Calendário Gregoriano. No Brasil colonial, o ano foi dominado pelos episódios mais violentos da Guerra dos Emboabas (1707–1709): em novembro de 1708, os emboabas lançaram um ataque em grande escala contra os paulistas estabelecidos em Cachoeira do Campo, distrito de Ouro Preto, expulsando-os de duas das três principais regiões mineradoras da capitania. O mesmo ano viu os emboabas consolidar seu controle sobre os arraiais de Sabará e do Rio das Velhas, enquanto o episódio que ficaria conhecido como o "Capão da Traição" — no qual centenas de paulistas rendidos foram massacrados pelos emboabas — deixou uma marca indelével na memória histórica da Guerra.

Eventos

O Capão da Traição O episódio mais brutal da Guerra dos Emboabas ocorreu em fins de 1708, no trecho do Rio das Mortes em que hoje se localiza a cidade mineira de Tiradentes. Um grupo de paulistas, encurralado e sem saída, rendeu-se ao capitão emboaba Bento do Amaral Coutinho, que enviara o líder dos emboabas Manuel Nunes Viana com cerca de 200 homens para capturá-los. Os paulistas aceitaram a rendição mediante a promessa de que teriam salvo-conduto para sair das minas. Entretanto, após entregarem as armas, foram massacrados. Os poucos sobreviventes partiram para São Paulo e, de lá, para os sertões de Goiás e Mato Grosso, onde descobrirram novas jazidas auríferas nas décadas seguintes.

Ataque a Cachoeira do Campo e domínio emboaba Em novembro de 1708, os emboabas lançaram um grande ataque ao arraial de Cachoeira do Campo — hoje distrito de Ouro Preto —, um dos principais redutos paulistas na capitania. A ofensiva foi bem-sucedida: os bandeirantes foram expulsos, e os emboabas passaram a controlar duas das três grandes regiões mineradoras da capitania. Sob a liderança efetiva de Manuel Nunes Viana, o governo dos emboabas funcionou com relativa eficiência, organizando a distribuição das lavras, o policiamento interno e a cobrança de tributos entre os mineradores.

A atuação da Igreja no conflito Durante os episódios mais violentos da guerra, os clérigos presentes nos arraiais desempenharam papel duplo: de um lado, tentavam mediar os conflitos e evitar novas mortes; de outro, prestavam os sacramentos da extrema-unção aos feridos e o enterramento cristão aos mortos. Não havia estrutura hospitalar laica em funcionamento nos arraiais — os feridos de guerra eram tratados por curandeiros improvisados, benzedores e, quando disponíveis, por irmãos de irmandades com algum conhecimento de plantas medicinais. As práticas de cura dos jesuítas, que incluíam o uso de ervas estudadas nas reduções e nos colégios, eram as mais sistemáticas disponíveis na colônia. O cura do arraial de Mariana, uma das localidades mais populosas da região das minas, serviu nesse período como o principal interlocutor entre a população colonial e as autoridades eclesiásticas da Diocese de Olinda, reportando ao bispo a situação caótica dos arraiais e reiterando os pedidos de criação de paróquias regulares com vigários remunerados e canonicamente nomeados.

Quadro político

Ver também Guerra dos Emboabas Capão da Traição Manuel Nunes Viana Bento do Amaral Coutinho Brasil colonial 1707 no Brasil

Referências

Brasil colonial