Associação Nacional dos Transportes Urbanos (NTU) considera no cálculo gratuidade para 52 sábados, domingos e 11 feriados nacionais

16 out 2026 - 12h49

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- Por: Alvaro Gribel e Vera Rosa

Resumo

A proposta do presidente Lula de implementar tarifa zero nos ônibus aos fins de semana e feriados pode custar entre R$ 20 bilhões anuais, segundo a NTU, e até R$ 60 bilhões, de acordo com a CNM. Apresentada via PEC e com previsão de custeio por emendas parlamentares, a medida visa abranger todo o país. O plano gera preocupação em entidades e municípios quanto ao impacto orçamentário, à regularidade dos repasses às empresas operadoras e a possíveis motivações eleitorais da iniciativa.

BRASÍLIA - A Associação Nacional dos Transportes Urbanos (NTU) estima que a promessa do presidente Luiz Inácio Lula de Silva de implementar tarifa zero para transporte urbano nos fins de semana e feriados custaria cerca de R$ 20 bilhões por ano ao Orçamento do governo Federal.

O cálculo considera gratuidade no transporte público em 52 domingos, 52 sábados, além de 11 feriados nacionais ao longo de um ano em todo o País. Marcos Bicalho, diretor de gestão da NTU, entende que o governo federal deverá assumir os gastos de municípios que hoje já concedem os benefícios, como por exemplo, Brasília e São Paulo.

"Por questão de justiça, a União teria que assumir o custo total, o Estado que já adota ou a prefeitura que já adota a política desse tipo, poderia destinar esses recursos para outras áreas", afirmou.

Ônibus indicando tarifa zero no terminal urbano de São Caetano do Sul, região metropolitana de São Paulo

Foto: Taba Benedicto/ Estadão / Estadão

Conforme antecipou o Estadão, o presidente Lula anunciou na última quinta-feira, 16, em um vídeo publicado nas redes sociais, a promessa de implementar o benefício, que teria como fonte de custeio emendas parlamentares. O presidente, contudo, não deu mais detalhes da medida.

A iniciativa integra o pacote de bondades proposto por Lula às vésperas do segundo turno. No ano passado, o presidente chegou a pedir ao então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que fizesse cálculos sobre o custo da medida, pois queria que ela fosse uma das bandeiras da campanha à reeleição.

A proposta só não entrou no programa de governo de Lula porque a equipe econômica não concluiu um estudo mais aprofundado sobre sua viabilidade econômica. Em conversas reservadas, ministros afirmavam que não havia espaço no arcabouço fiscal para adotar a tarifa zero. Atualmente, mais de 130 cidades já aplicam o passe livre no País.
A informação de que o presidente poderia fazer o anúncio nesta quinta-feira, 15, já circulava pelo mercado financeiro. Pesquisas qualitativas feitas por grandes bancos apontavam que a tarifa zero era uma proposta com capacidade de virar votos do senador Flávio Bolsonaro (PL) para Lula.
Conquistamos o fim da escala 6x1 e agora é hora de avançar ainda mais!
Vou enviar ao Congresso Nacional uma PEC para garantir passe livre nos finais de semana em todas as cidades brasileiras que tenham transporte coletivo. Porque o trabalhador e a trabalhadora merecem mais do… pic.twitter.com/tSYvDzs2Ae
— Lula (@LulaOficial) October 15, 2026
CMN estima gastos de até R$ 60 bilhões
A Confederação Nacional dos Municípios (CMN) tem uma conta preliminar mais alta. Segundo Paulo Roberto Ziulkoski, presidente da entidade, a conta poderia chegar a até R$ 60 bilhões e representaria um risco para as prefeituras.
"É uma grande preocupação essa proposta ser feita de forma eleitoreira. Pode representar um custo a mais para as prefeituras, dependendo da forma como será feito o repasse. É uma insegurança enorme", afirmou Ziulkoski.
Bicalho vê como positiva a iniciativa do governo federal de colocar o transporte público no centro do debate, mas também vê se preocupa com o repasse dos recursos para as empresas.
"Nossas preocupações é ter uma garantia da remuneração pela prestação do serviço e uma remuneração que possa ser feita de maneira regular, sem atrasos, porque o setor depende desse fluxo financeiro para conseguir operar sem problemas", afirmou Bicalho.
Para a NTU, o que poderia deixar a conta mais barata seria o uso do gasto das empresas privadas com o vale-transporte para setores que empregam trabalhadores nos fins de semana. Ele explica, contudo, que o governo pode optar por assumir essa despesa, ajudando a aliviar o caixa das empresas.
"É uma conta que ainda precisa ser feita, porque há milhões de empregados formais que trabalham nos fins de semana e que recebem vale-transporte. Ele teriam agora a gratuidade. A União precisa avaliar se ela vai cobrar isso das empresas ou se ela vai conceder esse benefício para a empresa também", afirmou.
Congresso tem vários projetos de passe livre
Na Câmara dos Deputados, há diversos projetos que tratam da tarifa zero, entre eles a PEC 25/2023, de autoria das deputadas Luiza Erundina (PSOL/SP), Erika Kokay (PT/DF) e Professora Luciene Cavalcante (PSOL/SP), entre outros parlamentares. O objetivo da proposta é criar um Sistema Único de Transporte público urbano, nos mesmos moldes do Sistema Único de Saúde (SUS).
Coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero, o deputado Jilmar Tatto (PT-SP) é um dos nomes que defendem a proposta. Em 2025, Tatto tratou do tema pessoalmente com Lula. Em conversa com o Estadão, à época, ele disse que levou apenas uma hora para convencer o presidente sobre a viabilidade da medida.
"A saúde, a educação e a assistência social já contam com recursos de emendas parlamentares. Por que o transporte público não pode contar também?, questionou Tatto nesta quinta-feira.
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