General Santos Cruz afirmou ainda que as relações entre a Casa Branca e o grupo político do clã Bolsonaro é um “ataque à soberania"

16 out 2026 - 12h20

(atualizado às 12h24)

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- Por: Redação Terra

General da reserva Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo de Jair Bolsonaro (PL), faz duras críticas ao clã bolsonarista

Foto: Reprodução/Revelando/YouTube

Carlos Alberto dos Santos Cruz, o general da reserva Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo de Jair Bolsonaro (PL), afirmou na série Revelando, do podcast Calma Urgente, com apoio do ICL, Mídia Ninja, 342 Artes e Intercept Brasil, que existe a possibilidade de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras, e que inclusive, isso “já está acontecendo”.

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"Sem dúvida nenhuma existe essa possibilidade e já está ocorrendo. Essa interferência já vem ocorrendo num país doente. Um fanatismo que vem alimentando inimizades e brigas há sete ou oito anos mais ou menos. Isso deixou a sociedade doente, onde famílias brigaram entre si, grupo de amigos, etc. O fanatismo tomou conta”, descreve.

O militar assumiu a pasta nos seis primeiros meses do governo Bolsonaro, em 2019, e vem tecendo duras críticas à gestão do ex-presidente nos últimos anos, sobretudo, com relação ao Exército Brasileiro e à tentativa de golpe. No episódio desta sexta-feira, 16, o general da reserva mais uma vez desaprova o movimento que descreve como “ataque à soberania” quando fala das relações entre a Casa Branca e o grupo político do clã Bolsonaro.

Santos Cruz aponta que qualquer pessoa pode ser contra o governo e a política econômica, mas que isso não deve ser levado para fora do país, mirando um apoio externo. “É um absurdo e realmente um ataque à soberania do Brasil, não tenho dúvida nenhuma”, afirma ao falar sobre a idolatria que alguns políticos e até cidadãos brasileiros têm com a cultura norte-americana.

"Quebra o nacionalismo, o patriotismo e faz coisas que podem se caracterizar como traição à pátria, por causa dessa idolatria. Então, é nessa onda que eu coloco essa busca para apoiar aqui, para interferir no nosso processo eleitoral. Nós chegamos a um ponto de, há pouco anos atrás, se você for procurar na internet, você vai ser deputados federais, até governador, usando um gorrinho 'Make America Great Again’”, diz.
A menção é sobre o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que apareceram com o boné da campanha do então candidato à Presidência dos EUA, Donald Trump, eleito em janeiro de 2025. Ele classifica o episódio em questão como “submissão voluntária” e “posição subalterna”, dizendo que o país norte-americano também se beneficia com isso, mesmo sem nem precisar “recrutar” essas pessoas.
“E se dizem patriotas, mas perderam totalmente o sentimento de patriotismo, porque aquilo é uma marca registrada de um partido político dos EUA. Mas um político nosso não pode fazer isso. São coisas vergonhosas que estão acontecendo e ninguém estranha, por quê? Porque o fanatismo apaga tudo, permite qualquer coisa. O fanatismo apaga se você é corrupto, pedófilo, traidor. O fanatismo acaba com tudo”, desabafa.
Santos Cruz emenda ainda sobre a busca ativa dos Bolsonaro por ajuda externa nos EUA. O militar afirma que essa procura por “intervenção” é “absurda”. “Porque até um ex-deputado brasileiro, que foi para lá como deputado, inclusive ainda com mandato, negociar sanções contra o Brasil, isso é uma coisa inimaginável”, critica a postura de Eduardo Bolsonaro.
O general também afirma que Bolsonaro era “despreparado” para liderar o Brasil em 2019, que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) “não tem identidade”, pois representa apenas o interesse do pai e familiar. Por fim, Santos Cruz declara que o bolsonarismo não representa a direita.
“Esse extremismo aí, isso aí não é direita, isso é vigarice”, afirma. “O que nós estamos assistindo não é direita nem esquerda. O que nós estamos assistindo é uma guerra de extremistas, onde no meio desses extremistas você tem um bando de vigarista”, complementa ao dizer que não considera o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) um político de extremos.
Fonte: Portal Terra
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