Seedorf chega ao Corinthians e diz: 'É um leão ferido. E um leão feriado é perigoso'

Corinthians: Stábile quer acordo com a Caixa como legado em meio à pressão política e de organizadas
Corinthians: Stábile quer acordo com a Caixa como legado em meio à pressão política e de organizadas · Imagem: Source: www.estadao.com.br

Técnico concedeu entrevista coletiva no CT do Clube. Crédito: Imagens: Corinthians TV

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Osmar Stábile, presidente do Corinthians, enfrenta pressão de torcidas organizadas e do Parque São Jorge devido à má fase do time e à situação financeira crítica do clube, com dívida de R$ 2,8 bilhões. Stábile negocia com a Caixa Econômica para quitar a dívida da Neo Química Arena. Clarence Seedorf foi apresentado como novo treinador, mas sua contratação é questionada. O zagueiro Gabriel Paulista criticou a diretoria após derrota para o Palmeiras. O Corinthians enfrenta o Vitória em jogo decisivo para evitar o Z-4.

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Mesmo após confirmar publicamente a informação de que não irá concorrer à reeleição, Osmar Stábile não deve ter sossego enquanto estiver no cargo de presidente do Corinthians. Enquanto busca deixar como legado no ocaso de sua gestão um novo acordo com a Caixa Econômica Federal, o dirigente convive com a pressão de torcidas organizadas, inflamadas pela má fase do time no Brasileirão, e do próprio Parque São Jorge.

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Stábile não esteve presente na apresentação oficial de Clarence Seedorf como novo treinador do Corinthians. Segundo o diretor executivo de futebol, Marcelo Paz, o mandatário viajou a Brasília para continuar as negociações com a Caixa pela quitação da Neo Química Arena. Com uma dívida de R$ 642 milhões pelo financiamento do estádio em Itaquera, o dirigente deseja oferecer ao banco o naming rights da Arena em troca da dívida, enquanto também negocia termos mais vantajosos em um eventual novo contrato.

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Um dia depois da viagem à capital federal, Stábile recebeu no Parque São Jorge lideranças das principais torcidas organizadas do Corinthians. Além de demonstrar insatisfação com a atual situação financeira do clube — que vai encerrar mais um ano com déficit financeiro, e uma dívida de R$ 2,8 bi — eles pediram a saída de Paz e o afastamento técnico de Memphis Depay. O astro holandês, que renovou contrato até 2028, vive momento ruim e tem somente um gol na temporada.

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Osmar Stábile vive últimas semanas como presidente do Corinthians pressionado de todos os lados. Foto: Taba Benedicto/ Estadão

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As organizadas também questionaram o presidente sobre os critérios adotados pela diretoria para a concretização da contratação de Seedorf. A negociação foi conduzida por Marcelo Paz, que recebeu respaldo da diretoria para fechar a contratação do holandês depois de o clube não avançar por Ramón Díaz e Fábio Carille.

Segundo a OTB Sports, agência que cuida da carreira de Seedorf, ele estava próximo de fechar com outro clube brasileiro com início de trabalho previsto para o início de 2027 e contrato de três anos, mas foi seduzido pela chance de treinar o Corinthians.

Seedorf tem 63 partidas na carreira como treinador, com mais derrotas do que vitórias. Seu último trabalho à beira do gramado foi encerrado há sete anos, em 2019, quando deixou a seleção de Camarões. Seu contrato com o Corinthians vai até o fim de dezembro de 2027, com um salário de R$ 1,7 milhão. Há uma cláusula que permite a rescisão em comum acordo em caso de queda para a Série B.

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Caso Gabriel Paulista

O Conselho Deliberativo do Corinthians convocou uma reunião extraordinária para esta sexta-feira, 16, com o objetivo de ouvir Osmar Stábile sobre a situação financeira do clube. O presidente deve ser questionado sobre dívidas trabalhistas e tributárias, atrasos nos pagamentos, execução do orçamento e outros assuntos, como as negociações com a Caixa e a possibilidade de intervenção judicial pelo Ministério Público de São Paulo.

A convocação, assinada por Romeu Tuma Jr, presidente do Conselho, foi motivada pelo desabafo do zagueiro Gabriel Paulista após a goleada por 4 a 1 sofrida para o rival Palmeiras, no domingo, no Nubank Parque. O defensor, que chegou a chorar após a partida, não poupou críticas à diretoria e afirmou estar “vivendo um pesadelo”.

“Eu consigo me manter durante um tempo, mas tem jogador que não consegue. Eu ganhava pouco no meu início. Se eu passasse por uma situação como essa, minha família talvez passasse fome. Ontem falei com alguns (jogadores), disse que, se eles estiverem precisando de alguma ajuda, eu estaria à disposição”, afirmou.

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O zagueiro reclamou da falta de “proteção” da diretoria. “A gente cansa de chegar aqui e proteger o clube. O Corinthians a gente vai proteger sempre, mas alguns profissionais estamos cansados de proteger. Eu abri mão de muitas coisas para viver um sonho e agora estou vivendo um pesadelo. Se alguém da diretoria quiser falar comigo e falar que disse besteira, eu volto e falo de novo.”

“A gente precisa de proteção. Precisa que pague o salário, que deixe funcionário com salário pago. Chegar aqui e falar que um atleta tem que ajudar o outro. Isso é uma vergonha para o clube que é o Corinthians”, completou.

Briga contra o Z-4

O Corinthians volta a campo na segunda-feira, 19, quando faz confronto direto contra o Vitória, às 20h, na Neo Química Arena, pelo Campeonato Brasileiro. A partida marca a estreia de Seedorf como novo treinador do time alvinegro.

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A equipe acumula de oito derrotas consecutivas no Brasileirão e soma 32 pontos, mesma pontuação do Internacional, time que abre o Z-4 e que enfrenta o Mirassol, fora de casa, nesta rodada. Em caso de tropeço, o Corinthians corre risco de entrar na zona de rebaixamento.

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