João Velho apresentou notícia-crime após comentário no Instagram elogiar Rafael Bussamra, condenado pelo atropelamento fatal do irmão

22 out 2026 - 13h38

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Cissa Guimarães e o filho Rafael Mascarenhas

Foto: Reprodução/Instagram

João Velho, filho mais velho da apresentadora Cissa Guimarães, procurou a polícia nesta quinta-feira (22) após um comentário publicado no Instagram chamar de “herói” o motorista condenado pela morte de seu irmão, Rafael Mascarenhas. O ator apresentou uma notícia-crime à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), no Rio de Janeiro, para pedir a investigação do responsável pela publicação.

A mensagem foi deixada em uma postagem de João relacionada à música e mencionava Rafael de Souza Bussamra, condenado pelo atropelamento que matou Rafael Mascarenhas, em julho de 2010. O comentário associou o caso a uma provocação política e tratou o motorista como herói.

O texto dizia: “Nas próxima eleição teremos o Rafael Bussamra, para atropelar a esquerda. Meu herói não usa capa, ele usa o volante de um carro”.

Na representação apresentada à polícia, a defesa de João Velho pede a abertura de investigação para apurar o conteúdo da publicação e identificar o responsável pela conta. Os advogados também solicitaram que a Meta, empresa responsável pelo Instagram, forneça dados que possam ajudar a identificar o autor do comentário.

"A liberdade de expressão não pode ser confundida com autorização para incitar a violência. A rivalidade, seja na política, seja no esporte, jamais pode servir de justificativa para ameaças, glorificação de crimes ou manifestações que banalizem a violência e a vida humana", escreveu o advogado Ricardo Brajterman em uma postagem no Instagram nesta quinta-feira.

"Isso não vai passar batido", comentou João Velho na publicação.

A representação aponta possíveis crimes, entre eles ameaça e apologia de crime. A classificação jurídica, porém, depende da apuração das autoridades. Até o momento, a apresentação da notícia-crime não significa que o responsável pelo perfil tenha sido identificado ou condenado.
"A democracia pressupõe divergência, debate e confronto de ideias. Mas há uma diferença fundamental entre criticar, discordar e defender posições — ainda que de forma contundente — e utilizar o discurso para exaltar a prática de crimes ou transmitir mensagens com potencial de estimular condutas criminosas", completou o advogado.
Quem foi Rafael Mascarenhas?
Rafael Mascarenhas era filho de Cissa Guimarães e do músico Raul Mascarenhas. Ele tinha 18 anos quando morreu, na madrugada de 20 de julho de 2010, após ser atropelado no Túnel Acústico, na Zona Sul do Rio de Janeiro, enquanto andava de skate com amigos.
Na ocasião, o trecho da via estava interditado para manutenção. De acordo com as investigações, Rafael de Souza Bussamra dirigia um carro que entrou no local e atingiu o jovem. O caso teve grande repercussão nacional e também envolveu acusações de corrupção contra policiais que atenderam a ocorrência.
Em 2015, Bussamra foi condenado, entre outros desdobramentos judiciais, pelo homicídio culposo de Rafael. Após recursos e decisões posteriores, a pena que prevaleceu para esse crime foi de três anos e seis meses de detenção. O pai do motorista, Roberto Martins Bussamra, também foi condenado por corrupção ativa.
Em setembro de 2023, pai e filho se entregaram à Justiça para cumprir as penas determinadas no processo. Em junho de 2024, a CNN Brasil noticiou que Roberto Bussamra havia obtido progressão para o regime aberto.
Ao longo dos anos, Cissa Guimarães tem falado publicamente sobre a perda do filho e sobre a saudade que sente. O local do atropelamento passou a levar o nome de Túnel Acústico Rafael Mascarenhas, em homenagem ao jovem.
A morte de Rafael e os desdobramentos judiciais do caso continuam sendo lembrados pela família. A nova denúncia apresentada por João Velho surgiu após o comentário nas redes sociais que, segundo a representação, utiliza a tragédia para fazer uma provocação política e evocar a possibilidade de violência.
"A liberdade de expressão é um direito fundamental, indispensável à sociedade democrática, mas não é absoluta. Seu exercício deve respeitar os demais direitos fundamentais e os limites estabelecidos pela Constituição e pelas leis. Nenhuma divergência ideológica, política ou esportiva pode justificar a ameaça, a intimidação ou a celebração da violência contra quem pensa diferente. Discordar é um direito. Ameaçar e incitar a violência não são formas legítimas de exercer esse direito. Liberdade de expressão exige responsabilidade. Divergência não é licença para a violência", concluiu Brajterman.
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