Política / Eleições 2026

Publicações de Carlos e Eduardo Bolsonaro provocam incômodo no entorno de Nikolas Ferreira e Tarcísio de Freitas, que ampliaram ações na reta final
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Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro em audiência nos EUA — Foto: Reprodução
A três dias do segundo turno, críticas de Carlos e Eduardo Bolsonaro a aliados provocaram incômodo entre pessoas próximas ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e reacenderam disputas internas na direita. As manifestações ocorrem justamente quando Flávio Bolsonaro (PL) tenta evitar novos desgastes e mobilizar lideranças que ganharam protagonismo em sua campanha presidencial, mas que mantêm um histórico de atritos com integrantes da família.
Carlos publicou uma mensagem questionando as intenções de políticos que passaram a apoiar a candidatura do irmão apenas no segundo turno. Sem citar nomes, sugeriu que parte das adesões estaria relacionada a interesses em um eventual governo.
“Tudo tem método, assim como só entrar na campanha no segundo turno. Nenhum desses pensa no Brasil, só no que podem ganhar com o movimento”, escreveu.
A declaração foi interpretada por aliados de Nikolas e Tarcísio como uma indireta aos dois, que intensificaram a participação na campanha presidencial após o primeiro turno, quando ainda estavam envolvidos em suas próprias disputas eleitorais. Nos bastidores, a avaliação é que as críticas são inoportunas por colocarem sob suspeita justamente lideranças consideradas importantes para ampliar a votação de Flávio na reta final.
Eduardo também alimentou a controvérsia ao compartilhar uma publicação do influenciador Kim Paim com críticas à mobilização eleitoral. O conteúdo questionava a estratégia de apostar em manifestações festivas e na mobilização de eleitores já identificados com a direita, em vez de concentrar esforços na conquista de votos fora desse campo político. A publicação também continha ataques a Nikolas e a outros aliados envolvidos na campanha, ampliando o desconforto com a postura do filho do ex-presidente.
Os movimentos geraram reação nas redes. O economista Rodrigo Constantino acusou Carlos e Eduardo de prejudicarem a candidatura do irmão. Ele destacou que Nikolas tem percorrido o país e gravado vídeos com milhões de visualizações para tentar conquistar votos no Nordeste, enquanto os filhos de Jair Bolsonaro alimentam disputas internas.
“Flávio se descolou dos irmãos e colou no Nikolas, e POR ISSO vai vencer”, escreveu Constantino.
O episódio contraria o esforço da coordenação de Flávio para reduzir controvérsias nos últimos dias da campanha. Após o desgaste provocado pelas declarações da coordenadora econômica Daniella Marques sobre o Bolsa Família, o candidato orientou auxiliares a evitar manifestações sobre assuntos sensíveis até domingo. A determinação busca concentrar as declarações no próprio presidenciável e impedir que novas polêmicas desviem a atenção da disputa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O desconforto é ampliado pelo peso que Nikolas e Tarcísio passaram a ter na estratégia eleitoral. O deputado mineiro se tornou uma das principais apostas para mobilizar eleitores pelas redes sociais, inclusive com vídeos direcionados ao Nordeste, onde Lula mantém vantagem. Nikolas tem viajado o país com e sem Flávio e, no sábado, véspera da eleição, promoverá ao lado do candidato do PL um ato em Belo Horizonte, batizado de “Bloco do Nikolas”.
A relação entre Nikolas e os irmãos Bolsonaro, porém, acumula episódios de desgaste. Em abril, Eduardo e o deputado protagonizaram uma discussão pública nas redes sociais, quando o filho do ex-presidente acusou o parlamentar de oportunismo e questionou seu empenho na candidatura de Flávio. Na ocasião, o senador interveio, classificou o conflito como contraproducente e defendeu a união da direita.
Carlos também entrou em atrito com Nikolas durante a campanha ao Senado em Santa Catarina. Na véspera do primeiro turno, o deputado mineiro deixou o nome do filho de Jair Bolsonaro de fora de uma lista de candidatos que recomendava aos eleitores, apesar de ambos integrarem o PL. Dias depois, justificou a decisão afirmando que Carlos o havia acusado de participar de um projeto para prejudicar o ex-presidente. O episódio aprofundou o distanciamento entre os dois.
As resistências de integrantes da família Bolsonaro também atingiram Tarcísio. Antes da definição de Flávio como candidato à Presidência, o governador era defendido por setores da direita como alternativa para enfrentar Lula, hipótese que provocou desconfianças na ala bolsonarista. Mesmo depois de declarar apoio ao senador, Tarcísio continuou sendo alvo de cobranças por maior participação na campanha.
Em ambos os casos, tanto Nikolas quanto Tarcísio tinham eleições em seus próprios estados para tocar. Os dois foram reeleitos no primeiro turno como deputado federal e governador de São Paulo, respectivamente.
O cenário mudou no segundo turno, quando o governador ampliou sua atuação na articulação de apoios partidários e na mobilização de prefeitos e lideranças paulistas. Nesta quarta-feira, participou de um encontro político em Guarulhos, na Grande São Paulo, para reforçar a candidatura de Flávio no maior colégio eleitoral do país. Na ocasião, anunciou a realização de 50 atos com prefeitos no sábado, véspera da eleição. Tarcísio também passou a participar das discussões sobre a preparação do senador para o debate da Globo, marcado para sexta-feira.
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