Mirelle Pinheiro

Deflagrada nesta segunda-feira (19/10), a Operação Backbone foi autorizada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes

Letícia Guedes
19/10/2026 09:10, atualizado 19/10/2026 09:13
PF/Divulgação
A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta segunda-feira (19/10) operação para desarticular estrutura ligada a uma facção criminosa que impõe o monopólio do fornecimento de internet em diversas comunidades do Rio de Janeiro (RJ) por meio de ameaças e do uso de armas de fogo.
Moradores dos Complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, na capital fluminense, seriam obrigados a utilizar o sistema de internet do tráfico imposto pelos criminosos. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 558 milhões.
Batizada de Backbone, a operação foi deflagrada para cumprir 23 mandados de prisão preventiva e 24 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio de autorização do ministro Alexandre de Moraes.
O esquema
De acordo com as investigações, traficantes armados cortam cabos e incendeiam caixas de distribuição de operadoras regulares e concorrentes, impedem reparos e obrigam moradores e comerciantes a contratar a chamada “internet do tráfico”. Os provedores autorizados pela facção pagam mensalmente uma “tarifa” pelo direito de operar no território.
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Registros contábeis da própria facção indicam que, em um único mês, a cobrança sobre o serviço de internet respondeu por mais de 40% de toda a arrecadação do grupo no Complexo da Penha. A exploração desse serviço público tornou-se uma das principais atividades lucrativas do crime organizado e fomenta a guerra pelo controle de territórios: cada comunidade dominada representa uma base de clientes cativos e uma nova fonte de receita para a facção.
As apurações revelaram, ainda, que um dos líderes de longa data da facção, preso há quase três décadas e atualmente custodiado no Sistema Penitenciário Federal, continua a controlar as atividades empresariais exploradas nesses territórios, em conjunto com seus familiares e outras lideranças da facção.
Os lucros chegavam à família deste líder por meio de empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas de passagem, e eram dissimulados em produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão – pagos em dinheiro vivo – e criptoativos.
A operação
As medidas judiciais são cumpridas no Rio de Janeiro, em Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé. Parte dos mandados de prisão será cumprida no sistema prisional, inclusive em uma unidade do Sistema Penitenciário Federal.
O bloqueio de bens e valores de até R$ 558 milhões alcança 40 pessoas físicas e 42 empresas. A ação policial também prevê a suspensão das atividades econômicas das pessoas jurídicas investigadas, entre elas provedores de internet, produtoras de eventos, uma empresa de contabilidade e empresas de fachada utilizadas pelo grupo nas práticas criminosas.
A PF informou que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) será oficiada para a cassação das outorgas e a interdição dos serviços de telecomunicações prestados por tais empresas, com a adoção de providências para assegurar a continuidade do serviço aos moradores das localidades afetadas.
Os investigados responderão pelo crime de domínio social estruturado, que pune grupos que empregam violência, grave ameaça e coação para impor controle territorial e social, intimidar populações, reprimir autoridades e atacar serviços essenciais.
Além do domínio social estruturado, os investigados também poderão responder por extorsão majorada, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, interrupção de serviço telemático, desenvolvimento clandestino de telecomunicações e lavagem de dinheiro, além de outros crimes que podem ser revelados no decorrer das apurações.


