Ilca Maria Estevão

Especialista esclarece dúvidas sobre recuperação do corpo pós-parto e analisa participação de Barbara Palvin e Elsa Hosk no desfile

Juliana Eichler, Ilca Maria Estevão

22/10/2026 17:36

Michael Buckner/WWD via Getty Images

Duas modelos chamaram a atenção ao cruzar a passarela do Victoria’s Secret Fashion Show no último domingo (18/10). A repercussão, no entanto, não se deu apenas pelo desfile, mas ao fato de que duas Angels — como são chamadas as modelos da marca — deram à luz poucas semanas antes. O retorno à passarela em um intervalo tão curto após o parto repercutiu nas redes sociais e levantou dúvidas sobre os efeitos do esforço físico no corpo materno. A médica obstetra Fernanda W. Mallmann explica o que se sabe sobre a recuperação pós-parto e quais cuidados são necessários nessa fase.

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Barbara Palvin

Mamães modelos

Para além de apresentar uma nova coleção de lingeries, o Victoria’s Secret Fashion Show (VSFS) também celebra as modelos e suas trajetórias com a marca. O desfile reuniu algumas das Angels mais icônicas da VS, como Adriana Lima, Alessandra Ambrósio, Candice Swanepoel, Behati Prinsloo e Gigi Hadid.

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Adriana Lima desfila pela marca há 21 anos

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Alessandra Ambrósio no Victoria's Secret Fashion Show 2026
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Candice Swanepoel no Victoria's Secret Fashion Show 2025
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Behati Prinsloo
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Tate McRae e Gigi Hadid
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No entanto, outras duas modelos já conhecidas e adoradas pelas fãs da marca viraram assunto. Barbara Palvin e Elsa Hosk subiram à passarela apenas seis e 12 semanas após darem à luz, respectivamente, e despertaram comentários sobre a recuperação física no pós-parto.
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Barbara Palvin
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Elsa Hosk
Repercussão polêmica
Nas redes sociais, alguns comentários exaltaram a preparação física das modelos, enquanto outros criticaram o retorno ao trabalho tão cedo e a promoção de um ideal de corpo considerado inalcançável. “É um desserviço às mulheres normalizar ou elogiar esse nível de ‘recuperação rápida’”, comentou um internauta. “Isso só é remotamente possível com extrema riqueza”, escreveu outro.
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Recomendação médica
Sobre a recuperação do corpo pós-parto, a médica obstetra Fernanda W. Mallmann explica que não existe um prazo único para a recuperação do organismo feminino. “Existe um processo de recuperação que depende da via de parto, das condições da gestação, do condicionamento físico e de possíveis complicações”, destaca.
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Barbara Palvin deu à luz no início de setembro
Após um parto vaginal sem intercorrências, a recuperação costuma ser mais rápida, e a mãe consegue retomar as atividades cotidianas já nos primeiros dias. Já no caso da cesariana, considerada uma cirurgia abdominal de grande porte, a recuperação pode levar algumas semanas devido à cicatrização da parede abdominal. Nesse período, é importante evitar esforços intensos e o levantamento de objetos pesados.
“As famosas seis semanas de pós-parto representam um marco importante, mas não significam que toda a recuperação esteja concluída”, esclarece Mallmann. “O útero geralmente já retornou próximo ao tamanho habitual, o sangramento tende a ter cessado e a cicatrização inicial está avançada. Entretanto, a musculatura abdominal e o assoalho pélvico podem continuar se recuperando durante meses”, explica.
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Barbara Palvin
Asas de 23 kg
Durante sua segunda entrada na passarela naquela noite, a modelo sueca Elsa Hosk desfilou com as maiores asas da edição de 2026 do VSFS. Doze semanas após dar à luz, ela carregou asas de aproximadamente 23 kg nas costas, o que gerou dúvidas em muitos espectadores sobre os possíveis riscos que o esforço representa para o corpo da mãe.
Segundo a médica, após três meses, o processo de recuperação do corpo costuma estar mais avançado, permitindo que muitas mulheres retomem atividades físicas mais intensas.
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Asa era presa por suporte
Ela explica que uma estrutura presa às costas, associada ao uso de salto alto, pode modificar o centro de gravidade do corpo e exigir maior esforço da musculatura abdominal, da coluna e do assoalho pélvico para manter o equilíbrio. “Aos três meses após o parto, essas estruturas podem ainda estar em processo de recuperação”, revela.
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Fernanda alerta, no entanto, para uma diferença importante entre a aparência física e a recuperação funcional. “Uma mulher pode estar com o abdome definido, ter retornado ao peso anterior à gravidez e, ainda assim, apresentar fraqueza da musculatura abdominal, alterações do assoalho pélvico ou dificuldades para realizar determinados esforços”, afirma.
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Elsa Hosk desfilou com a maior asa da edição
Pós-parto não é competição
Os desfiles de moda são concebidos para que o público aprecie as roupas apresentadas. No entanto, quando se trata de uma marca de lingerie, o foco naturalmente também recai sobre o corpo das mulheres. Quando elas são mães que deram à luz há pouco tempo, porém, acabam sendo criticadas tanto pelo retorno precoce ao trabalho quanto por supostamente reforçarem um padrão corporal considerado inalcançável por muitas pessoas.
“Durante muitos anos, as mulheres ouviram que deveriam permanecer em repouso prolongado depois de ter um bebê. Hoje, sabemos que, na ausência de contraindicações, a mobilização precoce e o retorno gradual à atividade física trazem benefícios importantes”, revela Fernanda Mallmann.
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Por outro lado, a médica pondera que vivemos uma época marcada por uma pressão enorme para que a mulher recupere rapidamente o corpo anterior à gravidez. “Mas nenhum desses extremos é saudável. O pós-parto não é uma doença, mas também não é uma competição para ver quem recupera o corpo mais rápido”, observa a médica.
“Essas modelos podem representar exemplos de mulheres que conseguiram retornar precocemente à atividade profissional, mas isso não significa que todas devam seguir o mesmo ritmo. Porque, depois que nasce um bebê, a mulher não precisa provar que já voltou a ser quem era antes. Ela precisa ter a oportunidade de se recuperar, no seu tempo, com saúde e sem cobranças”, conclui.
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Elsa Hosk


