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Um gole da lata dos pais ou uma tentativa de ganhar disposição para estudar até mais tarde. O energético pode entrar na rotina de crianças e adolescentes por diferentes caminhos, mas a orientação de especialistas ouvidas pelo Pulsa é uma só: evitar o consumo da bebida nessa faixa etária.

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A pediatra Maria Carolina de Pinho Porto, integrante do Departamento Científico de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), ressalta que crianças e adolescentes ainda estão em desenvolvimento e são mais vulneráveis aos efeitos dessas bebidas. “O benefício daquela performance naquele momento não compensa o risco na faixa pediátrica.”

Flávia Navarro, coordenadora da cardiologia pediátrica do Sabará Hospital Infantil acrescenta que não existe uma quantidade considerada segura para crianças e adolescentes. “Quanto menor o corpo, maior o impacto da mesma quantidade de cafeína”, explica.

Assim, uma lata tolerada por um adulto pode representar uma carga proporcionalmente maior para uma criança ou adolescente. Os jovens também costumam ter menos hábito de consumir cafeína, o que aumenta a sensibilidade a seus efeitos.

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Segundo Flávia, uma dose elevada de energético pode acelerar o coração, aumentar a pressão arterial e provocar palpitações. O consumo frequente, por sua vez, está associado a problemas de sono, ansiedade e piora do rendimento escolar.

Completar 18 anos tampouco garante segurança. “É uma questão individual. Se você tiver algum fator de risco, o energético não vai ser seguro nunca”, afirma Maria Carolina. Condições como arritmias, ansiedade e distúrbios do sono precisam ser consideradas também na vida adulta.
Consumo de energéticos pode acelerar o coração, aumentar a pressão arterial e provocar palpitações Foto: Monkey Business/Adobe Stock
Nada de ‘é só um golinho’
Ver os pais ou irmãos mais velhos consumindo a bebida e encontrá-la em casa pode favorecer a experimentação e a repetição do consumo entre crianças, afirmam as especialistas.
Nesse contexto, oferecer um gole envolve o risco de familiarizar os mais novos com o energético. “O fato de ter em casa já predispõe a criança a experimentar e acabar gostando, porque é uma bebida açucarada”, diz Maria Carolina.
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As versões sem açúcar também não devem ser vistas como uma opção adequada para esse público.
Energético não ajuda a estudar
Já na adolescência, quando a influência dos amigos ganha espaço, acompanhar o comportamento do grupo pode levar o jovem a consumir sem entender os perigos.
Nessa faixa etária, há ainda a ideia de que a bebida ajudaria a espantar o sono e prolongar as horas de estudo para o vestibular, mas, na verdade, ela pode atrapalhar o aprendizado. “Para a gente aprender, precisa dormir adequadamente”, afirma Maria Carolina. Segundo ela, o consumo pode aumentar a ansiedade e dificultar a concentração.
“Energético e café em excesso tendem a piorar o descanso e o desempenho”, acrescenta Flávia.
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Gatilho para problemas cardíacos
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Combinar energético, café, pouco sono e estresse também amplia a preocupação com o coração. “Dormir pouco e viver sob estresse já deixam o organismo em alerta, e os estimulantes aumentam esse efeito”, explica Flávia.
A cardiologista ressalta ainda que esse tipo de bebida pode desencadear a manifestação de um problema cardíaco até então desconhecido. “Algumas condições do coração não dão sinais no dia a dia e só aparecem quando algo sobrecarrega o organismo. O energético pode funcionar como esse gatilho, e casos graves, embora raros, incluem arritmias e morte súbita”, explica.
Merecem atenção histórico familiar de morte súbita, desmaios inexplicados em parentes jovens e doenças cardíacas na família. Desmaio, palpitações ou cansaço fora do normal durante o esforço na própria criança ou adolescente também precisam ser relatados ao médico. A ausência desses antecedentes não torna o consumo seguro.
Quais sinais exigem atendimento?
Para Flávia, é preciso procurar atendimento de emergência diante de palpitações intensas ou persistentes, desmaio ou quase desmaio, convulsão, dor no peito ou falta de ar.
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Agitação, insônia, dor de cabeça e coração acelerado também podem ocorrer e se parecer com ansiedade. “A diferença está na intensidade, na duração e no contexto”, diz a cardiologista.
Maria Carolina reforça que ansiedade e efeitos do energético podem aparecer juntos. Por isso, é preciso investigar o consumo, sem presumir que o mal-estar seja apenas emocional. Dificuldades para dormir e mudanças de comportamento, como maior ansiedade, também merecem investigação.
Ela orienta os pais a verificar como o jovem tem acesso à bebida e promover uma conversa com os familiares. “Não são todas as famílias que sabem que isso não é bom”, diz.
Flávia recomenda uma abordagem direta: “Pergunte ao adolescente se ele consome energéticos, porque muitas vezes isso não aparece na conversa”.
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