Justiça Eleitoral levará quatro modelos às seções de votação em 2026; aparelhos fabricados a partir de 2021 são maioria, mas versões antigas oferecem a mesma segurança.

Urna eletrônica da segunda geração — Foto: Antonio Augusto/Secom/Divulgação TSE

As urnas eletrônicas utilizadas nas eleições de outubro serão de quatro modelos: UE2022, UE2020, UE2015 e UE2013. A Justiça Eleitoral colocará em operação 563.910 equipamentos para atender os mais de 158,7 milhões de eleitores em todo o Brasil. A maior parte dos aparelhos (77%) pertence à nova geração, fabricada a partir de 2021. As versões recentes contam com design renovado, tela sensível ao toque para o mesário e recursos de acessibilidade aprimorados.

Os modelos mais antigos, que representam um quarto do total, mantêm os recursos de segurança necessários para a integridade do pleito. As versões UE2015 e UE2013 operam com os mesmos princípios criptográficos das máquinas recentes e passam por auditorias rigorosas da Justiça Eleitoral. Abaixo, o TechTudo detalha as mudanças visuais, as atualizações de processamento e a distribuição exata de cada equipamento nas seções de votação pelo país. Confira!

🔎 Urna eletrônica: 7 coisas que você precisa saber antes de votar

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Teste público de segurança da urna eletrônica de 2023 — Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE

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1. Quais modelos de urna eletrônica serão usados em 2026?

Os modelos distribuídos neste ano são a UE2022, UE2020, UE2015 e UE2013. A divisão de urnas eletrônicas inclui 217.145 unidades da versão de 2022 e 222.323 do modelo de 2020. As edições mais antigas somam 95.065 da UE2015 e 29.377 da UE2013. A alocação por zona e seção eleitoral é determinada pela conveniência logística de cada tribunal regional nos estados. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) coordena a diretriz dessa distribuição para todo o país.

Urna eletrônica da segunda geração desmontada durante teste público de segurança em 2023 — Foto: Antonio Augusto/Secom/TSE

2. UE2022: o modelo mais novo da urna

Fabricada em 2023 pela Positivo, a UE2022 é tecnicamente quase idêntica à versão de 2020. O aparelho apresenta apenas pequenas diferenças no design do gabinete e leves mudanças na construção em relação ao computador anterior. Ao todo, 217.145 urnas desse modelo serão disponibilizadas nos locais de votação. O número é ligeiramente inferior ao lote de quase 220 mil equipamentos encomendado pelo governo há três anos.

Urna eletrônica do modelo UE2022 — Foto: Divulgação/TSE

3. UE2020: o que mudou em relação à geração anterior?

A urna que marcou a estreia da segunda geração será a mais comum no pleito. Ao todo, 222.323 equipamentos deste modelo estarão nas seções eleitorais pelo país. Fabricada também pela Positivo em 2021, a UE2020 representou um salto de tecnologia para o processo. A versão teve sua capacidade de processamento aumentada em 18 vezes em relação à UE2015, ainda da primeira geração.

Outra inovação importante foi a inclusão de uma tela sensível ao toque no terminal do mesário, somada à mudança no design do painel usado pelo eleitor. O hardware de segurança também foi aprimorado. As baterias utilizadas em caso de falta de luz ou em locais remotos do país passaram a ser de lítio-ferro-fosfato, com eficiência superior à de chumbo-ácido.

Urna eletrônica do modelo UE2020 — Foto: Divulgação/TSE

4. UE2015 e UE2013: ainda são seguras?

Últimos representantes da primeira geração, os modelos UE2015 e UE2013 ainda estarão em cerca de um quarto dos locais de votação. As versões foram fabricadas em 2016 e 2014 pela empresa Diebold. Neste ano, 95.065 unidades da UE2015 e 29.377 da UE2013 serão distribuídas aos mesários.

Apesar do design antigo, as duas edições trouxeram inovações técnicas em relação aos antecessores. Embora possuam hardware de gerações distintas, ambos os modelos operam sob os mesmos princípios criptográficos de validação digital das urnas mais modernas, o que assegura a inviolabilidade ao voto. A cada pleito, a Justiça Eleitoral instala um novo software igual para todas as máquinas.

Urna eletrônica modelo UE2015 — Foto: Divulgação/TSE

5. Por que existem vários modelos de urna na mesma eleição?

As urnas eletrônicas passam por manutenção periódica nas sedes da Justiça Eleitoral. A vida útil delas gira em torno de 10 anos, de acordo com as regras de segurança. Quando os aparelhos chegam ao fim desse período, são vendidos a empresas de reciclagem capazes de reaproveitar 95% dos materiais presentes no equipamento.

Para substituir os aparelhos descartados, o TSE abre licitações com o objetivo de encomendar novos lotes dos fabricantes interessados no negócio. A autoridade eleitoral destaca que os projetos dos modelos pertencem ao próprio tribunal. As máquinas brasileiras são customizadas e exclusivas, sem presença no catálogo de qualquer outra empresa.

Teste público de segurança da urna eletrônica de 2025 — Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE

O sistema operacional é desenvolvido internamente e instalado apenas depois da entrega pelas fábricas e inspeção pelos tribunais regionais. Antes dessa etapa, a fabricante não tem como adicionar programas maliciosos ou adulterar o funcionamento do equipamento. A própria estrutura física bloqueia ativamente essas invasões.

6. O que muda para o eleitor entre uma urna e outra?

Para quem vai votar, a principal diferença entre os modelos é visual. As duas versões da nova geração contam com gabinete quase quadrado e tela maior, posicionada acima do teclado. O design utilizado desde 1996 traz o visor ao lado das teclas. O modelo recente possui um terminal sensível ao toque para o mesário em vez de botões físicos. A urna de 2020 ganhou recursos de acessibilidade aprimorados. O equipamento inclui um sintetizador de voz, responsável por emitir a pronúncia do nome dos candidatos, e um intérprete de Libras no display.

Urnas eletrônicas de nova geração contam com intérprete de Libras na tela — Foto: Divulgação/TSE

7. Como funciona a segurança da urna eletrônica?

A urna possui recursos responsáveis pela proteção de todo o processo de votação. Ela só funciona com os sistemas oficiais e não tem conexão com a Internet ou com outros computadores, celulares e dispositivos eletrônicos. Há um módulo dedicado a essa função que criptografa as informações para impedir tentativas de interferência.

Os códigos-fonte e os sistemas eleitorais ficam disponíveis para consulta pública por quase um ano antes de cada pleito. Nesse período, diversas organizações da sociedade civil e partidos inspecionam o material em busca de falhas ou bugs. Essa avaliação rigorosa confirma a integridade técnica das máquinas.

Cerimônia de assinatura e lacração dos sistemas eletrônicos de votação em 2026 — Foto: Luiz Roberto/TSE

Depois de passarem pelo Teste Público de Segurança, os programas são assinados digitalmente e lacrados em cerimônia pública realizada na sede do TSE, em Brasília. A partir dessa etapa, o pacote de arquivos é inserido na memória das urnas, sem possibilidade de alteração até a conclusão da votação.

*Com informações da Justiça Eleitoral (1); (2) e (3)

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