Em entrevista à Marie Claire, cantora revisita as marcas da exposição precoce, explica por que criou o filho longe dos holofotes e fala sobre os limites que aprendeu a impor entre a vida pública e a privada

Sandy abre o jogo sobre romance discreto e os desafios de se relacionar com alguém fora do meio artístico: 'Tenho aprendido muito' — Foto: Divulgação/ Brunno Rangel

Sandy cresceu diante do público antes mesmo de ter idade para entender o que isso significava. Filha de Xororó, da dupla com Chitãozinho, ela não se lembra de uma vida sem os holofotes. A fama abriu portas e fez com que alcançasse um sucesso estrondoso ainda na infância, mas o preço que pagou por isso foi alto. Limitou sua privacidade, trouxe questionamentos sobre sua sexualidade antes mesmo da maioridade e fez com que aprendesse cedo a lidar com a pressão de ser observada.

Como resposta, impôs limites. Buscou a terapia aos 18 anos e entendeu, cedo, que precisava separar o seu público do privado. “Se eu não tivesse colocado tantos limites, não seria capaz de continuar vivendo de música”, reconhece, em entrevista a Marie Claire.

O refúgio da vida pública

Desde que anunciou uma pausa dos palcos, em 2024, Sandy tem vivido um período de mais tempo para si, marcado por autoconhecimento e novas experiências. Entre elas está o relacionamento de dois anos com o médico Pedro Andrade, que tem sido mantido longe dos holofotes.

Ao falar sobre o namoro, a cantora descreve esse momento como uma fase de descobertas. “Tenho descoberto muitas coisas interessantes sobre mim e sobre me relacionar com uma pessoa que estou conhecendo ainda. Estar com alguém alimenta a alma e o coração”, diz.

Ela também reconhece os desafios de construir uma relação com alguém que não pertence ao meio artístico. “É realmente uma pessoa de fora da área artística, então essa é a parte mais complicadinha, porque a própria rotina é bastante diferente. Mas é tudo uma questão de ajuste, de encaixe. Enquanto estivermos vivos, podemos aprender a nos adaptar.”

Discreto, namorado de Sandy publica cliques de viagem para a Europa com a cantora — Foto: Reprodução/Instagram

Um novo destino para o seu filho

De volta com a segunda temporada do programa Nesse Canto eu Conto, Sandy também olha para a própria história ao falar sobre a criação de Theo, seu filho com Lucas Lima, com quem foi casada por 15 anos.

“Ele vive uma vida muito normal: passeia com os amigos e sai. Quando estou junto, ele não passa despercebido, mas, como não expus o rosto dele na internet, ninguém sabe que ele é meu filho quando não está comigo.”

Para Sandy, preservar a imagem do menino foi uma forma de garantir que ele pudesse crescer com mais liberdade e, no futuro, fazer as próprias escolhas sobre a exposição pública.

“Quando ele crescer mais um pouco, vai poder decidir se quer ter rede social, ser famoso, o que quiser. Mas, enquanto isso depende de mim e do pai dele, estamos fazendo o que achamos melhor para ele.”

Lucas Lima mostra nova namorada e filho com Sandy em fotos raras: 'A vida tá bem tri' — Foto: Reprodução/Instagram
MC Com quase quatro décadas de carreira, quais são os maiores aprendizados que tira dessa trajetória? E quais acredita terem sido os maiores desafios?
S Tenho uma história muito peculiar: já era famosa antes de ser cantora, por ser filha de um cantor conhecido. Na escola, sempre fui vista como a filha do Xororó, então minha vida nunca foi exatamente comum. Cresci sob os holofotes, muito observada, e esse foi um dos maiores desafios da minha trajetória. Não é natural para o ser humano viver sob tantos olhares. Não fomos feitos para isso.
Todo mundo tem direito a uma vida privada, mas, quando se tem uma carreira artística, a exposição faz parte da rotina e pode ser bastante desafiadora. Foi preciso aprender a lidar com isso. Faço terapia desde os 18 anos, e ela me ajudou a compreender e equilibrar essas duas dimensões da minha vida: a pública e a privada.
Costumo dizer que sou duas pessoas em uma: existe a minha persona artística e existe a pessoa por trás dela, com necessidades, limites, vontades, dores e dificuldades. Preciso dar espaço para essa pessoa comum existir ao mesmo tempo em que convivo com a figura pública.
Esse equilíbrio talvez seja o que mais exige de mim, mas acredito que consegui encontrá-lo. Por isso sou bastante reservada. É o meu jeito de sobreviver nesse meio. Se não tivesse estabelecido tantos limites, provavelmente não conseguiria continuar vivendo de música.
MC Acompanhando essa sua nova fase, você também vive um recomeço no amor após o fim do casamento com Lucas Lima. Como é para você viver esse romance com uma pessoa que não tinha uma vida tão exposta até então?
S É, no mínimo, muito diferente. Um novo relacionamento traz descobertas e desafios, e tenho olhado para isso com bastante atenção. Também tenho aprendido muito sobre mim e sobre quem sou ao lado de outra pessoa.
Estar com alguém alimenta a alma e o coração. Estamos juntos há dois anos, então ainda vivo esse processo de experimentar — e de me experimentar — dentro dessa relação, que já nem é tão nova assim [risos].
Estou bem, feliz, e ele também. Como ele não faz parte do meio artístico, nossas rotinas são bastante diferentes, e esse talvez seja o maior desafio. Mas tudo passa por ajuste e adaptação. Enquanto estivermos vivos, sempre podemos aprender a nos adaptar.
Sandy — Foto: Divulgação TV Globo
MC Você também é bastante protetora em relação à exposição de Theo, seu filho com Lucas Lima, para que ele possa ter uma vida anônima e livre dos holofotes até a maioridade. Tendo crescido na vida pública, como essa experiência moldou a forma como você cria seu filho e os limites da exposição adotados para ele?
S A chegada do meu filho foi determinante para que eu me tornasse ainda mais protetora em relação à minha vida privada. A partir do momento em que ele nasceu, entendi que as minhas escolhas já não tinham consequências apenas para mim, mas poderiam afetá-lo também.
Posso errar em algum momento, claro, mas procuro oferecer todas as condições para que ele cresça de forma livre e tenha uma vida o mais comum possível, sem ser tão impactado pela minha exposição como artista. Gostaria que essa visibilidade interferisse o mínimo possível na vida dele.
Hoje, ele consegue sair, passear com os amigos e ter uma rotina bastante normal. Quando está comigo, naturalmente chama mais atenção, mas, como nunca expus o rosto dele na internet, muitas vezes ninguém sabe que é meu filho quando está sozinho.
Isso dá a ele uma liberdade que valorizo muito, e fico feliz por perceber que, até aqui, eu e o Lucas estamos conseguindo preservá-la. Mais adiante, ele poderá decidir se quer ter redes sociais, ser famoso ou seguir qualquer outro caminho. Enquanto essa decisão ainda cabe a nós, fazemos o que acreditamos ser melhor para ele.
MC Você já declarou, em entrevista, ter sido muito cobrada e estigmatizada, ao crescer sob os holofotes, chegando a citar questionamentos sobre sua virgindade aos 14 anos. Que balanço faz das pressões que existiam e ainda existem a respeito da sua imagem pública?
S Fui adolescente no final dos anos 90, um período bastante complicado para quem crescia sob exposição pública. Muitas atitudes que hoje seriam consideradas absurdas eram tratadas com naturalidade, e havia muito menos consciência sobre os limites dessa exposição.
Isso me trouxe dificuldades e foi um dos motivos que me levaram a procurar a terapia. Também me ensinou a estabelecer limites e a preservar mais a minha vida privada.
Hoje, quando olho para trás, sinto que fiz escolhas importantes para me proteger. Estou bem, feliz e vivendo de forma plena. Acho que amadureci muito com tudo o que vivi e aprendi a construir uma relação mais saudável com a minha própria exposição.
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