Cientistas argentinos desceram ao fundo do Cânion Submarino de Mar del Plata e encontraram 29 peças de lixo acumuladas no leito oceânico.

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A expedição usou um robô subaquático em profundidades de até 3.820 metros, mostrando que resíduos humanos também chegam a regiões remotas do Atlântico Sul. O estudo foi publicado na revista PLOS One.

Exemplos de lixo de mar profundo encontrados no Cânion Submarino de Mar del Plata. (A) Embalagem plástica de tamanho médio, 2.109 m. (B) Bota de borracha, 2.598 m. (C) Embalagem de alimento, 1.920 m. (D) Embalagem de salgadinho, 3.231 m. (E) Embalagem de lenço de papel, 3.814 m. (F) Sacola plástica cheia de sedimento, 3.739 m. (G) Fragmento de plástico altamente degradado, 3.709 m. (H) Corda de nylon com anzol, 1.949 m. (I) Copo e sacola plástica brancos (setas), 3.243 m. Barras de escala: 10 cm. – Imagem: Teso et al., 2026, PLOS One (CC-BY 4.0)

Mergulhos inéditos no Atlântico Sul

A missão realizou 17 mergulhos com o veículo remoto ROV SuBastian entre julho e agosto de 2025. O robô ajudou a registrar cerca de 40 espécies que podem ser novas para a ciência, mas a equipe também encontrou resíduos produzidos por humanos.

“Para mim, a peça individual de lixo mais marcante foi uma única bota, caída no fundo do mar”, disse o biólogo marinho Daniel Laurett.

Ao longo de dez mergulhos, a equipe registrou diferentes tipos de lixo no fundo do oceano:

- Embalagens plásticas de macarrão instantâneo e de salsicha coreana.

- Sacolas plásticas, copos e embalagens de alimentos.

- Material de pesca comercial, incluindo cabos de náilon e linhas com anzóis.

Lixo também ameaça as pesquisas

O lixo pode criar obstáculos para as próprias explorações científicas. Em um dos mergulhos, uma corda de pesca apareceu repentinamente diante do ROV, obrigando a equipe a parar para evitar uma colisão.
O que mais me impressionou foi uma corda de pesca que apareceu de repente bem na frente do ROV, nos obrigando a parar imediatamente para evitar a colisão.
Diego Urteaga, biólogo marinho e pesquisador envolvido no estudo, em nota.
A equipe considera a pesca comercial a fonte mais provável dos resíduos encontrados, mas não descarta outras origens. Correntes marinhas podem transportar materiais por longas distâncias, enquanto navios comerciais, embarcações recreativas e atividades em terra também podem contribuir.
Correntes oceânicas podem transportar resíduos por longas distâncias, dificultando a identificação de sua origem. – Imagem criada por inteligência artificial: Gemini/Olhar Digital
Animais colonizam o lixo
Os objetos encontrados não estavam isolados da vida marinha. Uma estrela-do-mar foi observada presa a uma sacola plástica, enquanto vermes de mar profundo colonizaram um conjunto de cordas de pesca.
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Segundo os pesquisadores, resíduos podem funcionar como superfícies artificiais no fundo do oceano e alterar comunidades locais. Eles também podem permitir que organismos sejam transportados para regiões onde normalmente não ocorreriam.
As consequências ecológicas desse processo ainda são pouco compreendidas.
Valdir Antonelli
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
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Tags: Lixo plástico Oceano Atlântico poluição oceânica profundezas do oceano

