O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, recebeu uma carta alertando para a possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras, enviada pelo Instituto Vladimir Herzog, em 19 de setembro.O texto alerta para riscos de pressão sobre o Brasil e possível contestação do resultado eleitoral brasileiro por parte do governo de Donald Trump, dos Estados Unidos. O documento ressalta o alerta da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) que afirma estar em “nível de criticidade” a uma eventual ingerência de Washington no processo eleitoral brasileiro. Leia também MundoEm meio a ameaças de interferência, Lula vai à ONU com foco em soberania BrasilLula chega a Nova York para Assembleia Geral da ONU MundoA caminho da ONU, Lula diz que Brasil respeita todos e “exige respeito” MundoApoiada pelo Brasil, Bachelet retira candidatura para assumir ONU O documento tem como objetivo pedir que os países-membros da ONU reconheçam o resultado das eleições de 2026 no Brasil, independentemente de quem seja o vencedor. A carta também diz que deve ser respeitada a autonomia das missões internacionais de observação sobre as eleições brasileiras.O documento alega que o não reconhecimento do resultado eleitoral brasileiro por governos estrangeiros pode alimentar redes de desinformação e fortalecer constestações internas ao resultado.3 imagensFechar modal.1 de 3Salão da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) Bruce Yuanyue Bi/Getty Images2 de 3Secretário-geral da ONU, Antonio Guterres recebe o presidente Lula (PT) em 2024Ricardo Stuckert/PR3 de 3Abin alertou um nivel de criticidade quanto à interferência americana na eleição brasileiraArte/MetrópolesPressão norte-americanaO instituto lista uma série de episódios vistos como tentativa de interferir nas eleições brasileiras, como a lista de 21 exigências dos EUA ao Brasil nas negociações pelo tarifaço, que incluía a permissão de “dissidentes políticos” nas eleições — e não foi para frente no nível diplomático, além de tarifas impostas contra produtos e sanções a autoridades brasileiras.Outros casos citados foram a classificação de facções criminosas PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, o que poderia gerar um pretexto para uma invasão americana em território brasileiro, e a tentativa de enviar dois assessores do governo Trump que prentediam questionar as eleições no Brasil, cujos vistos foram negados pelo governo brasileiro. Os EUA negam e afirmam que a visita tinha caráter regular.O documento destaca que a preocupação com interferência na política brasileira também ocorreu nos EUA, e cita que, em dezembro do ano passado, os deputados Lindas Sánchez e Adrinado Espaillat, acompanhados de 48 parlamentares, enviaram uma carta a Trump condenado ataques à democracia brasileira e ingerência contra a política do Brasil.“Em nossa avaliação, existe um risco que precisa ser considerado seriamente: que essas ferramentas sejam utilizadas para influenciar o ambiente eleitoral brasileiro em benefício de atores politicamente alinhados à administração estadunidense e que, caso o resultado das urnas seja contrário a essa expectativa, a estratégia se desloque para uma segunda etapa — a alegação de fraude, a deslegitimação das instituições e o eventual não reconhecimento do resultado”, diz trecho do texto, assinado pelo diretor executivo do Instituto Vladimir Herzog, Rogério Sottili.













