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'Leviano', 'mentiroso', 'golpista': STF não decide nada e expõe vísceras na TV
'Leviano', 'mentiroso', 'golpista': STF não decide nada e expõe vísceras na TV · Imagem: Source: oglobo.globo.com

Bernardo Mello Franco

'Leviano', 'mentiroso', 'golpista': STF não decide nada e expõe vísceras na TV
'Leviano', 'mentiroso', 'golpista': STF não decide nada e expõe vísceras na TV · Imagem: Source: oglobo.globo.com

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Ministros travam guerra para proteger aliados, não para preservar a instituição

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André Mendonça e Gilmar Mendes em sessão extraordinária do STF — Foto: Arte O GLOBO/ Fotomontagem com uso de IA

Leviano. Mentiroso. Golpista. Sem noção. Pixuleco eleitoral. Os insultos foram disparados no plenário do Supremo Tribunal Federal. Por mais de sete horas, ministros atacaram ministros, em guerra transmitida ao vivo pela TV.

O presidente Edson Fachin imaginou que a sessão de ontem pudesse dar início a um processo de depuração. Deu-se outra coisa: o tribunal expôs suas vísceras e nada decidiu sobre o pedido para investigar o ministro Alexandre de Moraes. As suspeitas sobre André Mendonça também ficaram intocadas. Por decisão de Fachin, foram deixadas para a semana que vem, sem garantia de solução.

O presidente abriu os trabalhos com um apelo à serenidade. “A divergência é legítima. O confronto pessoal, não”, pontificou. Belas palavras, mas era difícil esperar que fossem convencer alguém a baixar as armas.

Para as duas alas que disputam o controle do Supremo, a duelo entre Moraes e Mendonça virou uma luta por sobrevivência. Nessa lógica, proteger aliados parece mais importante do que preservar a instituição.

Moraes foi defendido por três escudeiros: Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin. Mendonça contava com o apoio de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques, que se enfraqueceram com as menções a seus filhos no celular de Daniel Vorcaro. Sem tropa, Fachin assistiu à pancadaria de braços cruzados.

O caso de Kassio não surpreendeu ninguém, mas agravou o descrédito da Corte. O ministro foi exposto em diálogos sobre viagens, valores e “meninas”. Seu filho Kevin, jovem prodígio da advocacia, apareceu ao lado da anotação “500 mil mês”. Kassio negou irregularidades, declarou-se impedido e pediu para sair.

Moraes adotou a tática de trocar a defesa pelo ataque. Não esclareceu as mensagens de Vorcaro e o contrato milionário da mulher, mas voltou a acusar Mendonça de estar a serviço do bolsonarismo. O relator do caso Master tentou engrossar a voz, mas não conseguiu explicar por que blindou aliados no tribunal e escondeu o inquérito contra Flávio Bolsonaro.

O pedido de vista de Dino interrompeu o julgamento sem estancar a crise no Supremo. Em meio à barafunda, Fachin fez um desabafo sobre os ofícios “hemorrágicos” que se avolumam em seu gabinete. Pelo que se viu ontem, a sangria vai continuar.

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