Iranianas gêmeas, de 21 anos, estão no corredor da morte há cerca de oito meses depois de participarem de protestos contra autoridades em Isfahan, no centro do Irã. Elas foram presas uma semana após as manifestações e julgadas com outras 14 pessoas em um processo no qual são acusadas de envolvimento na morte de um integrante da Guarda Revolucionária e de uma pessoa sem-teto nos arredores dos protestos.De acordo com a organização Human Rights Activists (HRANA), Taraneh foi condenada à morte um mês depois por “guerra contra Deus”. Já Romina recebeu uma sentença de 36 anos de prisão.Os protestos ocorreram nos dias 8 e 9 de janeiro e reuniram milhares de pessoas. Segundo organizações de direitos humanos e investigadores da ONU, as manifestações noturnas foram o ponto alto de um movimento nacional desencadeado no fim de dezembro pelo aumento do custo de vida no país, que foi reprimido com violência.PrisãoTaraneh e Romina Rahimi, que à época estavam com 20 anos, foram detidas durante uma operação policial na casa onde moravam, segundo a família, que vive no exterior. Em julho, as duas compareceram diante de um tribunal instalado em uma prisão de Isfahan.A HRANA afirma que as duas são acusadas de envolvimento na morte de um integrante da Guarda Revolucionária, uma das principais forças militares do Irã, e na morte de uma pessoa sem-teto nos arredores das manifestações. O primo das irmãs, Masud Nourmohamadi, que vive nos Estados Unidos, afirma que não há provas contra elas.Segundo a HRANA, oito mulheres enfrentam atualmente a pena capital no Irã por acusações relacionadas à segurança ou aos protestos.Família denuncia torturaNourmohamadi também relatou que Taraneh sofre de dores no joelho, que havia sido operado antes da prisão. Um médico recomendou que ela fosse hospitalizada fora da prisão, mas as autoridades recusaram, segundo o familiar. De acordo com o primo, as gêmeas estão sofrendo tortura.Segundo ele, os prisioneiros são torturados uns na frente dos outros e, no caso das irmãs, elas foram ameaçadas de estupro, caso não assinassem confissões.O Centro pelos Direitos Humanos no Irã (CHRI), sediado nos Estados Unidos, também afirmou estar preocupado com o estado de saúde de Taraneh e disse que “ela tem dificuldade para andar”.Cabe recursoO veredito de Taraneh ainda pode ser objeto de recurso. O Irã, porém, já executou 29 pessoas, todas homens, em relação às manifestações, após julgamentos considerados injustos por várias organizações não governamentais, entre elas a Anistia Internacional.Autoridades iranianas são acusadas por ativistas de utilizar execuções de manifestantes para espalhar o medo entre a população, em um contexto de guerra com os Estados Unidos.Já as autoridades iranianas, por sua vez, afirmam que agem contra os instigadores das manifestações, classificadas como “distúrbios fomentados do exterior”.






