O Governo do Distrito Federal (GDF) classificou como “político-eleitoreira” a deflagração de greve pelo Sindicato do Rodoviários, neste domingo (27/9). Segundo o Palácio do Buriti, já foram adotadas medidas legais junto Tribunal Regional do Trabalhão (TRT-DF).Para o Executivo local, a paralisação é ilegal e coloca em risco a livre circulação das pessoas, especialmente com a proximidade das eleições, no próximo domingo (4/10).“O GDF reconhece o legítimo direito dos trabalhadores de lutar por suas reivindicações salariais e de qualidade das condições de trabalho, mas não aceita que um sindicato filiado à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e com um presidente da entidade que apoia abertamente um adversário eleitoral tente manipular a categoria”, ressaltou o governo, em nota enviada ao Metrópoles.Segundo o GDF, a mesa de negociação está aberta desde julho, com participação das empresas do setor. E mais de 10 propostas foram apresentadas. Para o governo, a postura do sindicato é de injustificada intransigência diante da possibilidade dos trabalhadores terem efetivos ganhos reais. Por isso, do ponto de vista do Buriti, a atitude do sindicato é político-partidária. Leia também Distrito FederalEmpresas de ônibus repudiam greve dos rodoviários: “População é quem perde” Distrito FederalRodoviários do DF rejeitam proposta das empresas e deflagram greve na 2ª Distrito FederalGreve dos rodoviários: empresas oferecem reajuste salarial de 6% Distrito FederalRodoviários do DF definem detalhes de greve marcada para segunda (28/9) “Há de se destacar que o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) solicitou à Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade apoio para assegurar a plena operação das linhas de transporte público coletivo, nas áreas urbana e rural do Distrito Federal, durante os dias de realização do pleito eleitoral”, pontou o GDF, garantido que cumprirá o pedido da corte eleitoral.A Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob) autorizou que, nos dias de realização do primeiro e eventual segundo turno das eleições, seja adotada a tabela horária correspondente aos dias úteis, de modo a assegurar a adequada oferta dos serviços de transporte público coletivo. Como os pleitos ocorrem aos domingos, o transporte será gratuito.O GDF também reivindicou ao Judiciário trabalhista que sejam fixados limites mínimos de funcionamento de todo o sistema de transporte rodoviário do DF, em 80% da frota em horários de baixo fluxo de passageiros, e de 100% da frota nos horários de alto fluxo de passageiros, sendo das 6h às 8h30 e 17h às 19h30, durante todo o processo de negociação da data-base.Greve dos rodoviáriosOs rodoviários do DF deflagrou a greve durante assembleia neste domingo (27/9) no estacionamento do Conic, no Setor de Diversões Sul.Os profissionais rejeitaram a proposta das concessionárias de transporte público do DF que previa reajuste salarial de 6%, além de 7% no tíquete de refeição e alimentação e na cesta básica, e 11,88% no auxílio-saúde e plano odontológico.A categoria reivindicava 8% nos salários, 10% nos benefícios de alimentação e 12% no plano de saúde, de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Terrestres do DF.A greve já havia sido convocada em 20 de setembro. O movimento foi comunicado formalmente às concessionárias em 23 de setembro.Concessionárias repudiam movimentoEm nota, as concessionárias do transporte público coletivo do Distrito Federal repudiaram a greve. Segundo as empresas, a paralisação foi decidida mesmo diante de uma proposta com reajustes acima da inflação em todos os itens.“Quem mais perde com a paralisação é a população. São milhares de trabalhadores, estudantes, pacientes e idosos que dependem do ônibus todos os dias para chegar ao emprego, à escola, ao hospital e aos serviços públicos. Transformar esses usuários em instrumento de pressão penaliza justamente quem não tem outra forma de se deslocar”, diz a nota.De acordo com as empresas, a oferta segue o histórico de valorização da categoria. As concessionárias destacaram que estão em negociação há mais de dez rodadas.“Desde o início do contrato de concessão, o salário do [motorista] subiu 151%, passando de R$ 1.607,05 para R$ 4.034,60. No mesmo período, a inflação medida pelo INPC foi de 97%. O salário cresceu, portanto, mais de 50 pontos percentuais acima da inflação. Com a proposta atual, essa diferença passaria de 60 pontos”, completou.As concessionárias informaram que continuam abertas ao diálogo e cobram do sindicato o cumprimento da Lei nº 7.783/1989, que determina que, em serviços essenciais como o transporte coletivo, o atendimento às necessidades inadiáveis da população seja garantido mesmo durante a greve.

Rodoviária - Metrópoles
Rodoviária - Metrópoles · Imagem: Hugo Barreto/Metrópoles
GDF chama greve dos rodoviários de “político-eleitoreira” e aciona Justiça
GDF chama greve dos rodoviários de “político-eleitoreira” e aciona Justiça · Imagem: Source: www.metropoles.com
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