Matheus Leitão

Fachin assume o controle da sessão de terça-feira, enquanto ministros questionam resistência de Mendonça em entregar dados de Vorcaro

Matheus Leitão
13/09/2026 16:49
KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
Ao assumir a relatoria do procedimento sobre as relações de Moraes com Daniel Vorcaro, o presidente do STF passou a ser responsável por apresentar o caso e dar o primeiro voto na sessão da próxima terça-feira, 15.
A decisão não impede um confronto entre Moraes e Mendonça. Os dois estarão lado a lado no plenário e a tensão acumulada nas últimas semanas continua. Mas Fachin passa a ter algum controle sobre um embate que parece inevitável.
Se permanecesse como relator, Mendonça abriria o julgamento, apresentaria os fatos sob sua perspectiva e daria o primeiro voto sobre um caso que atinge diretamente Moraes. A sessão começaria sob o comando de um dos lados da guerra.
Ao tomar para si a relatoria, Fachin tenta impedir que isso aconteça.
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O presidente também separou os julgamentos. O caso de Moraes será analisado na terça-feira. As acusações contra Mendonça ficarão para a semana seguinte. Em vez de colocar as responsabilidades dos dois ministros em julgamento na mesma sessão, Fachin decidiu tratá-las separadamente.
Mas a guerra está longe de terminar.
Mendonça ainda não perdeu formalmente as relatorias das investigações sobre o Banco Master e as fraudes no INSS. Fachin determinou que os processos fossem enviados à Presidência e suspendeu seu andamento até uma nova deliberação. Caberá a ele decidir se Mendonça continuará à frente dos dois casos. Mas, por enquanto, suas mãos estão atadas.
Há quatro dias, a coluna mostrou que essa era a decisão que faltava para Fachin assumir de vez o comando do Supremo. Depois de retirar de Moraes o inquérito das fake news e interromper a guerra de liminares entre Mendonça e Flávio Dino, não faria sentido deixar todo o poder das investigações mais explosivas do país concentrado no gabinete de um dos lados da disputa.
A nova frente da crise é o acesso à íntegra do celular de Vorcaro. A Polícia Federal informou que pode entregar imediatamente aos ministros cópias integrais e certificadas do material. Mendonça se opôs. Sustentou que a medida pode tumultuar o julgamento de terça e comprometer investigações ainda em andamento. Também pediu a Fachin que apure uma possível pressão sobre os delegados responsáveis pelo caso.
Segundo ministros do Supremo ouvidos pela coluna, uma questão passou a atrair especial atenção dentro do tribunal: a insistência de Mendonça em reter os dados do celular, mesmo depois de a Polícia Federal afirmar que pode enviá-los aos demais integrantes da Corte.
A pergunta feita hoje dentro do STF é se o acesso de todos os ministros à íntegra do aparelho — e uma eventual divulgação pública de seu conteúdo — colocará ou não em questão o trabalho realizado por Mendonça nas últimas semanas.
O celular pode conter novas informações sobre Moraes, Flávio Bolsonaro e outros personagens. Mas também permitirá confrontar o conjunto dos dados com o material selecionado e levado aos autos pelo relator.
Fachin retirou de Mendonça o comando do julgamento de terça-feira, demonstrou força na presidência. Ainda não conseguiu encerrar a guerra.


