Associação aponta riscos de conflitos entre órgãos de investigação e questiona a inclusão de dispositivo sem debate específico

Delegados alertam para mudanças na PEC da Segurança Pública sobre poderes das polícias do Congresso
Delegados alertam para mudanças na PEC da Segurança Pública sobre poderes das polícias do Congresso · Imagem: Source: www.terra.com.br

15 out 2026 - 13h11

Plenário do Senado Federal
Plenário do Senado Federal · Imagem: Plenário do Senado Federal Foto: Agência Senado

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Delegados alertam para mudanças na PEC da Segurança Pública sobre poderes das polícias do Congresso
Delegados alertam para mudanças na PEC da Segurança Pública sobre poderes das polícias do Congresso · Imagem: Source: www.terra.com.br

- Por: Redação Terra

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Plenário do Senado Federal

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Foto: Agência Senado

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A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) manifestou preocupação com uma alteração incluída na última versão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal nesta quarta-feira, 14. Para a entidade, a nova redação pode abrir caminho para que as polícias legislativas da Câmara dos Deputados e do Senado ampliem sua participação em investigações criminais sem que uma lei específica estabeleça os limites de suas atribuições.

Flávio Bolsonaro publicou vídeo em apoio à campanha de Márcio Canella em abril Foto: Reprodução/Facebook
Flávio Bolsonaro publicou vídeo em apoio à campanha de Márcio Canella em abril Foto: Reprodução/Facebook · Imagem: Source: www.terra.com.br

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Márcio Canella (União Brasil) Foto: Rafael Wallace / Alerj
Márcio Canella (União Brasil) Foto: Rafael Wallace / Alerj · Imagem: Source: www.terra.com.br

A mudança foi inserida no dispositivo que trata da competência da Polícia Federal para apurar infrações penais contra bens, serviços e interesses da União. O texto passou a prever que essa atribuição será exercida “sem prejuízo das atribuições das polícias previstas nos arts. 51, IV, e 52, XIII”, da Constituição Federal, que fazem referência às polícias das duas Casas do Congresso Nacional.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master Foto: Divulgação / Estadão
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master Foto: Divulgação / Estadão · Imagem: Source: www.terra.com.br

Segundo a ADPF, a expressão não estava presente na versão aprovada pela Câmara dos Deputados e foi acrescentada sem discussão na comissão. A associação avalia que a alteração vai além de um ajuste de redação, pois pode permitir que as polícias legislativas assumam funções de investigação criminal na esfera federal com base em normas internas do próprio Legislativo, sem uma legislação que delimite claramente suas competências.

Flávio Bolsonaro publicou vídeo em apoio à campanha de Márcio Canella em abril Foto: Reprodução/Facebook
Flávio Bolsonaro publicou vídeo em apoio à campanha de Márcio Canella em abril Foto: Reprodução/Facebook · Imagem: Source: www.terra.com.br

Uma fonte ouvida pelo Terra destacou que, atualmente, a Constituição atribui às polícias Civil e Federal funções de investigação criminal, e a inclusão do trecho pode abrir um precedente para que as polícias legislativas conduzam investigações envolvendo parlamentares. A fonte também avalia que a medida pode afetar as atribuições da Polícia Federal, ao criar espaço para a atuação de outros órgãos em casos que hoje podem estar sob sua competência.

Márcio Canella (União Brasil) Foto: Rafael Wallace / Alerj
Márcio Canella (União Brasil) Foto: Rafael Wallace / Alerj · Imagem: Source: www.terra.com.br

Entidade questiona ampliação de poderes investigativos das polícias legislativas

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master Foto: Divulgação / Estadão
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master Foto: Divulgação / Estadão · Imagem: Source: www.terra.com.br

A ADPF argumenta que a Polícia Federal possui estrutura especializada e atribuições de investigação previstas na própria Constituição. Os inquéritos são conduzidos por delegados de carreira, conforme a Lei nº 12.830/2013, e estão sujeitos a mecanismos de controle, como corregedorias, Ministério Público, Poder Judiciário e órgãos de fiscalização da União.

As polícias legislativas, por sua vez, têm competências definidas por atos internos da Câmara e do Senado e estão subordinadas às respectivas Casas. Para a associação, uma eventual ampliação de suas funções investigativas, sem a previsão de mecanismos equivalentes de controle, pode gerar questionamentos sobre a legalidade dos procedimentos.

Entre os riscos apontados pela entidade estão a sobreposição de investigações, conflitos sobre qual órgão deve conduzir cada apuração e dúvidas sobre a validade dos procedimentos realizados. Na avaliação da ADPF, esses problemas podem prejudicar o andamento das investigações e a responsabilização criminal.

A associação também considera que a inclusão do dispositivo pode gerar questionamentos sobre a tramitação da proposta, uma vez que o trecho não constava do texto aprovado pelos deputados. Segundo a entidade, a mudança pode exigir que a PEC retorne à Câmara dos Deputados.

"A entidade reconhece a importância das polícias legislativas para a segurança, o funcionamento e a autonomia do Congresso Nacional, atribuições que não estão em discussão. Ressalta, contudo, que eventuais mudanças nas competências de polícia judiciária da União devem ser debatidas de forma ampla e transparente, por meio de proposta específica, e não incorporadas sem discussão a uma reforma constitucional com outro objeto", afirma a ADPF, em nota.

Diante das preocupações, a associação pediu aos senadores e às lideranças partidárias que retirem, durante a votação em plenário, a expressão acrescentada ao texto. A intenção é preservar a redação aprovada pela Câmara e, segundo a ADPF, evitar mudanças nas atribuições de investigação criminal da União sem uma discussão legislativa específica.

O Terra entrou em contato com o Senado, mas ainda não recebeu posicionamento sobre o assunto.

Fonte: Portal Terra

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