Esvaziado pela ausência dos principais candidatos na disputa pela Presidência, o debate promovido pela Veja nesta quarta-feira (23/9) teve como protagonistas Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). Sem grandes confrontos entre si, adotaram um “jogo de compadres” e concentraram boa parte das críticas nos adversários que não compareceram ao encontro, especialmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).Além dos dois líderes das pesquisas eleitorais, Renan Santos (Missão) recusou o convite para participar. Augusto Cury (Avante), que havia confirmado presença, cancelou a agenda nesta quarta-feira para comparecer ao velório do empresário Bruno Avelar. Com isso, Zema e Caiado foram os únicos dos seis candidatos convidados a subir ao palco do debate.A ausência dos adversários foi o mote do encontro. Na chegada, Caiado classificou como “deprimente” o fato dos candidatos mais bem posicionados nas pesquisas não participarem do debate. Zema, por sua vez, apareceu vestindo uma camisa com a inscrição “Chega de intocáveis”, slogan utilizado em sua campanha.Durante o primeiro bloco, dedicado a perguntas entre os candidatos, o clima foi de pouco confronto. Sem entrarem nas diferenças entre suas propostas, os dois presidenciáveis aproveitaram o tempo para defender seus respectivos governos estaduais e direcionar ataques aos candidatos ausentes.Ao abordar a pobreza, Zema criticou a política fiscal do governo Lula e apresentou medidas adotadas durante sua gestão em Minas Gerais. Caiado, por sua vez, afirmou que seu governo em Goiás retirou mais de 600 mil pessoas da pobreza e da extrema pobreza e defendeu o uso do Sistema S como instrumento de qualificação profissional e porta de saída para beneficiários do Bolsa Família. Leia também BrasilDatafolha: Flávio atrai eleitores de Zema, Renan, Caiado e Cury em 2º turno São PauloCaiado nega que PSD tenha pedido para Zema desistir de candidatura BrasilComo está a disputa para presidente nos 3 maiores estados, segundo a Atlas Minas GeraisAtlas: Zema marca 0,8% para presidente no próprio estado O caso do Banco Master também ocupou espaço central no debate. Tanto Zema quanto Caiado mencionaram as investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro com o intuito de atingir Lula e Flávio.Zema classificou Vorcaro como um “artista” da corrupção e afirmou nunca ter se encontrado com o empresário, apesar de ambos viverem há anos em Belo Horizonte. Ele também defendeu o aprofundamento das investigações e disse que o celular apreendido do banqueiro tem revelado relações com pessoas de diferentes campos políticos.Caiado, da mesma forma, associou o escândalo aos dois principais adversários na corrida presidencial e questionou a capacidade de investigação do caso diante das relações políticas reveladas no curso das apurações.Na área de segurança pública, os dois candidatos voltaram a apresentar pontos de convergência, com discursos de endurecimento no combate ao crime organizado e a defesa do enquadramento de grandes facções criminosas como organizações terroristas, tal como sugerido pelo governo dos Estados Unidos.Perspectivas de segundo turnoA menos de duas semanas do primeiro turno, pesquisas mostram uma disputa concentrada entre Lula e Flávio. Levantamento AtlasIntel divulgado nesta quarta-feira mostra Lula com 45,8% das intenções de voto e Flávio com 43,4%. Caiado aparece com 1,3%, enquanto Zema registra 0,9%.Após o debate, Zema sinalizou que pode apoiar Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno contra Lula. Questionado pelo Metrópoles sobre qual seria sua posição caso a disputa se confirme entre o petista e o candidato do PL, o governador de Minas Gerais evitou declarar apoio nominal a Flávio e disse acreditar que ainda pode chegar à segunda etapa da eleição. Na sequência, porém, afirmou que sempre estará do lado oposto ao PT.“Continuo com a perspectiva de que estarei lá. Como eu disse, tudo acontece até o último dia. Enquanto o juiz não apita, o jogo não acabou”, disse. “Mas eu tenho reafirmado, confirmado, que onde o PT estiver, eu estarei contra o PT.”“Eu estou na política por causa do PT. Enquanto o PT existir, eu estarei combatendo essas ideias retrógradas e essa corrupção que ele causa”, acrescentou Zema.









