Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) aponta que 50 milhões de pessoas nas capitais estão envolvidas com apostas esportivas e jogos de azar online, conhecidos popularmente como bets — 10,5 milhões a mais do que em 2025. O mercado desse tipo de jogo de azar já impacta o orçamento de milhões de brasileiros, segundo o levantamento.O gasto médio mensal chegou a R$ 213 e sobe para R$ 314 entre consumidores das classes A e B. De acordo com a pesquisa, 23% dos apostadores afirmam que os valores destinados aos jogos já comprometeram a renda ou o bem-estar financeiro.O brasileiro x bets – em númerosO gasto médio mensal com apostas subiu para R$ 213, alcançando a marca de R$ 314 entre os apostadores das classes A e B.Cerca de 23% dos apostadores admitem ter investido valores que acabaram por comprometer a própria renda ou o seu bem-estar financeiro.O impacto no orçamento diário é direto para 43% dos apostadores, que relatam ter aberto mão de itens essenciais e de consumo para destinar dinheiro aos jogos.Entre os cortes de gastos para apostar destacam-se a internet (15%), contas básicas de água, luz e telefone (13%), passeios em família (12%), vestuário (12%) e alimentação fora de casa (12%).A gravidade da situação financeira reflete-se na inadimplência, com 25% dos entrevistados afirmando que já deixaram de pagar alguma conta para jogar.Um total de 24% dos apostadores já teve o nome negativado por causa de gastos com jogos online, sendo que 11% continuam com o nome sujo.Para conseguir recursos destinados ao jogo, 28% dos apostadores admitiram ter recorrido ou considerado ações extremas.Entre as medidas drásticas relatadas estão pegar dinheiro emprestado (12%), vender bens próprios ou da família sem consentimento (8%) e utilizar cartões de terceiros sem autorização (8%). Leia também Milena TeixeiraLula quer até 6 anos de cadeia para quem divulgar bets de forma irregular BrasilBets: a 9 dias da eleição, veja mudanças que Lula anunciará sobre apostas Inadimplência e endividamentoA pesquisa mostra ainda que 25% dos apostadores já deixaram de pagar alguma conta para conseguir dinheiro para os jogos. Outros 24% afirmam ter tido o nome negativado por causa das apostas — e 11% continuam com o nome sujo.Além disso, 37% dizem já ter tentado parar ou reduzir a frequência das apostas sem conseguir. Ao todo, 62% apostam diariamente ou semanalmente, enquanto o Pix é utilizado por 78% dos entrevistados.Impacto sobre adolescentesO impacto negativo das apostas on-line também afeta de maneira preocupante os lares com adolescentes, onde 10% dos entrevistados com filhos entre 12 e 18 anos relatam o envolvimento dos jovens com as bets.Entre esses pais, 70% observam prejuízos diretos na vida dos filhos, destacando sinais claros de vício em 26% dos casos, endividamento em 24% e o uso não autorizado de dinheiro da família em 14%. Além disso, o levantamento aponta que 49% dos apostadores conhecem alguém próximo que já enfrentou problemas decorrentes dos jogos virtuais.Apesar da alta incidência de dificuldades financeiras e emocionais, a busca por apoio institucional permanece baixa entre os apostadores. Embora o índice de procura por ajuda tenha apresentado um crescimento de 21% para 30% — com foco principal em parentes, amigos e grupos de apoio voltados ao vício em jogos —, cerca de 69% daqueles que enfrentam problemas continuam sem buscar nenhum tipo de suporte especializado.“O avanço vertiginoso das apostas on-line no Brasil deixou de ser apenas uma questão de entretenimento digital e se transformou em uma grave crise de saúde pública e de desestruturação social. Quando o vício em jogos passa a comprometer a renda familiar, gerar conflitos profundos nos lares e distanciar os indivíduos de suas rotinas de trabalho e convivência, fica evidente que estamos lidando com um transtorno comportamental que exige acolhimento clínico e terapêutico, e não mera culpabilização do cidadão”, ressalta destaca o presidente da CNDL, José César da Costa.“O cenário atual impõe a urgência de políticas públicas mais rigorosas, campanhas educativas contínuas e travas severas de regulação para conter a livre exposição da população, em especial dos jovens e adolescentes, a esse modelo predatório de diversão”, encerra.MetodologiaO levantamento foi encomendado pela SPC Brasil, em parceria com a Offerwise, e ouviu 939 pessoas com 18 anos ou mais, e que realizaram compras pela internet nos últimos 12 meses, entre os dias 25 de maio a 4 de junho. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.







